Coluna

20 de novembro 2018: porque é de nossa natureza ousar resistir!

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20 de Novembro de 2018 às 08:00
"Vamos celebrar nossos heróis e heroínas que não são os dos colonizadores, são guerreiras e guerreiros forjados na luta diária por vida" / Foto: Reprodução
Não viemos para a diáspora brasileira como imigrantes, viemos escravizados

Chegamos a mais um mês da Consciência Negra. Em novembro a gente precisa responder: ainda existe racismo no Brasil? Os negros ainda são discriminados em nossa sociedade? O que nos leva a responder que sim, esse país nunca deixou de ser racista e preconceituoso.  

Nesse ano de 2018, o que sempre falamos e denunciamos viralizou, generalizou na onda fascista que estamos vivendo. Hoje, grande parte da sociedade que via em nossas ações antirracistas, apenas “mimimi” de negros com baixa autoestima; reconhece que sim, os negros e as negras desse país estavam com a razão: o racismo, a discriminação e a intolerância religiosa são fatos reais.

A casca social que as pessoas usavam em sua hipocrisia, na certeza da impunidade não se faz mais necessária. Hoje o racista, o machista, o misógino, o homofóbico não precisa mais ficar guardado no armário. Tem a legitimação de um Estado fascista para sair às ruas, num retrocesso sem precedentes e assim podem vomitar todo seu ódio contra todas e todos. Mas como nosso couro é curtido no dendê, nosso sobrenome é resistência, vamos dar uma grande demonstração de coragem e organização frente à sanha fascista que pensa que pode nos destruir.

Vamos resistir, não permitindo que nossos tambores se calem, que nossa alegria se esvaia. Respondendo a toda tentativa de nos destruir, com um contragolpe de resistência e de fé.

Vamos celebrar nossos heróis e heroínas que não são os dos colonizadores, são guerreiras e guerreiros forjados na luta diária por vida, cidadania e dignidade. Ocuparemos todos os espaços da cidade e do campo com nossas cores vibrantes, nossa ginga e reivindicações. Não tememos a covardia dos que se escondem na ignorância para negar nossa história. Não viemos para a diáspora brasileira como imigrantes, viemos escravizados pela usura, ganância e prepotência de pessoas que se acham as donas da verdade.

Nós não negamos nosso nome e nem nosso sobrenome, descendemos de reis e rainhas, intelectuais, engenheiros, agricultores, homens e mulheres livres e soberanos, que sob a crueldade do regime escravocrata construíram as bases e as estruturas desse país. Ao contrário de muitos que se colocam prepotentemente como superiores, arianos e puros; nós somos a mistura da generosidade e da gentileza africana. A pureza que carregamos conosco é a de uma gente que mesmo em condições adversas e inumanas nos deixou seu Axé, seu Ngunzo e sua fé.

Por isso, nesse 20 de novembro vamos ocupar as ruas da cidade, vamos celebrar nosso orgulho, nossa fé e nossa alegria de ser quem somos, herdeiros de Zumbi e Dandara, herdeiros de heróis e heroínas que fizeram e fazem história, uma história que não precisamos nos envergonhar, nem esconder, pois é a história de uma gente que se faz pela sua generosidade, pela alegria e principalmente pela ética. Vamos ocupar as ruas e dizer quão importante é para nós a democracia, a liberdade e nossos direitos. E que Palmares viva em cada um de nós, pois ali se construiu uma república de homens e mulheres livres e independentes, que resistiram bravamente a todos os ataques. Vamos bradar que fascistas não passarão, que o medo não tem espaço, onde o que se busca é o sol da liberdade. Viva Zumbi dos Palmares!!! Viva Dandara!!! Mariele e Moa de Catendê!!!

Edição: Joana Tavares