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Celebrar o Dia da Consciência Negra: fundamental para toda sociedade brasileira

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Mulheres quilombolas em Minas Gerais produzem artesanatos a partir da palha da palmeira do Indaiá / Nilmar Lage
Escravidão foi abolida, mas se prolonga viva em relações de trabalho injustas

Mais do que nunca, em tempos de intolerância e discriminações, é fundamental celebrar o 20 de novembro, dia da união e consciência negra. Isso é importante, não só para as pessoas que se definem como de raça e cultura afrodescendente, mas para toda a sociedade brasileira. 

No Brasil, de acordo com a Constituição, toda expressão de racismo é considerado crime grave. No entanto, desde a recente campanha eleitoral e por responsabilidade do candidato eleito, temos assistido a nova onda de manifestações racistas, especialmente com pessoas negras. 

Isso não teria consequências tão trágicas se esse tipo de atitude não encontrasse enraizados na memória cultural dos brasileiros o velho preconceito e a brutal discriminação racial, heranças da escravidão. Oficialmente, essa foi abolida, mas, na prática, se prolonga viva em relações de trabalho injustas e em uma estratificação social rígida e impiedosa. 

De acordo com o censo mais recente, 50,7% da população se declarou negra. Isso significa mais da metade dos brasileiros. Infelizmente, a maioria desses irmãos e irmãs ainda representa a parte mais empobrecida da população brasileira. 

Em todo o Brasil, mais do que qualquer outra faixa da população, jovens negros são vítimas da violência e de assassinatos nas periferias. Também, cada dia, comunidades religiosas afrodescendentes são agredidas e atacadas por grupos que se denominam cristãos. 

A Constituição de 1988 garante o direito das comunidades remanescentes de quilombos à posse de suas terras ancestrais e à manutenção de sua cultura própria. Existem hoje no Brasil mais de 2.800 comunidades quilombolas. No Congresso, há iniciativas, agora facilitadas pelo novo governo, que visam anular a Constituição federal e dar poder aos estados de retirar quilombolas e indígenas de suas terras ancestrais. 

Todos nós, brasileiros, temos responsabilidade social de trabalhar por um país mais igualitário e justo. Para os cristãos, um valor central que a Bíblia aponta é a cidadania de todos os seres humanos, como filhos e filhas de Deus e cidadãos do seu reino. Onde há aspiração e luta pela liberdade, aí está presente o Espírito Divino (Cf. 2 Cor 3, 16) 

Que esse aniversário do martírio do Zumbi confirme e reavive em todos nós o caminho de comunhão e partilha!

Edição: Daniela Stefano