Reconhecimento

“Globalizamos a liberdade”: Boulos e Petro são homenageados na Argentina

Coordenador do MTST e líder da Colômbia Humana receberam título de professor honorário da Universidade de Lanús

Gustavo Petro (esquerda), a reitora da Universidade de Lanús, Ana Jaramillo, e Guilherme Boulos posam durante a solenidade / Reprodução/Twitter Guilherme Boulos

Nomes importantes na luta por uma sociedade igualitária e inclusiva na América Latina, o brasileiro Guilherme Boulos e o colombiano Gustavo Petro foram homenageados no sábado (17) pela Universidade Nacional de Lanús em Buenos Aires, na Argentina, no evento “América Latina em Disputa”. Os líderes receberam o título de professores honorários pelo trabalho que desenvolvem e a contribuição para a defesa da paz.

Boulos é coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e da Frente Povo Sem Medo. Gustavo Petro é senador e líder do movimento de esquerda Colômbia Humana, além de ter concorrido à presidência de seu país neste ano.

“Nossa universidade é uma instituição com um forte compromisso com os valores democráticos e a defesa dos direitos humanos. Desse ponto de vista, a carreira de Gustavo Petro merece destaque pelo trabalho público em defesa desses princípios e, em particular, pela paz”, afirmou Santiago Hernández, secretário de bem-estar da universidade e organizador do evento.

Os dois líderes populares falaram sobre a importância da democracia e da continuação da luta social.

“É quando a universidade se abre para o povo e o povo vem à universidade que se tem a verdadeira democracia. A democracia só acontece quando o povo tem acesso ao conhecimento”, afirmou Boulos.

“Como vocês sabem, uma pessoa que defende a ditadura e quer fechar nosso país para nossos irmãos latino-americanos [vai] assumir a presidência do Brasil. Esse avanço fascista se expressa na politização da justiça, no que vimos no Brasil com Lula, mas também na Argentina e no Equador. Bolsonaro está tentando criminalizar movimentos sociais como o MST [Movimento dos Trabalhadores Sem Terra] e o MTST como grupos terroristas. A luta social não pode ser acabada por decreto, violência ou repressão. Para acabar com o conflito social, é importante garantir moradia digna a todos os brasileiros”, continuou o líder do MTST.

“Hoje, quando viemos para cá, paramos na estação Darío y Maxi [homenagem a Darío Santillán e Maximiliano Kosteki, jovens militantes mortos pela polícia argentina durante protesto em 2002]. Conversando com Alberto Santillán [pai de Darío], entendemos que temos que continuar lutando, continuar sonhando com um continente onde as mulheres possam decidir sobre seus corpos e suas vidas, onde elas tenham os mesmos direitos que os homens. Esse sonho se constrói com liberdade, democracia e o pensamento crítico do povo. Eles globalizam o medo, nós [globalizamos] a liberdade”, completou Boulos.

Petro

Em sua fala, Petro defendeu que “a democracia não pode ser fortalecida sem diversidade social”.

“A história da Colômbia nas últimas décadas tem sido uma história fascismo, guerra e ditaduras. Mais de 200 mil colombianos morreram no contexto dos últimos anos. Essas mortes são um sinal da ruptura do tecido social e dos territórios. A sociedade colombiana é uma das mais desiguais do mundo”, avaliou.

“Queremos manter um equilíbrio entre teoria e prática. A América Latina está em uma encruzilhada. Mantemos a esperança, no contexto das eleições no Brasil, na Colômbia e no México, para recriar um eixo progressista de um novo tempo. As mesmas formas de economia e acumulação de capital estão colocando em xeque a vida da humanidade”, alertou Petro. “Não é mais a luta entre burguesia e trabalhadores – é a luta pelo capital ou pela vida”, afirmou o colombiano.

Edição: Peoples Dispatch | Tradução: Aline Scátola