DEBATE

Brasil, Europa e África debatem questões sobre água e alimentação no Rio

Durante o "Fórum Alimentação, Água e Bens Comuns" foram levantadas questões sobre produção de alimentos saudáveis

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

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Dois anos depois do primeiro encontro em Pinheiral (RJ), os participantes sentiram necessidade de aprofundar os vínculos e pautar a temática / Divulgação

Na tarde da última quarta-feira (28) teve início, no auditório da Universidade Federal Fluminense (UFF), do campus Aterrado, em Volta Redonda (RJ), o "Fórum Alimentação, Água e Bens Comuns". O evento reuniu delegações do Brasil, França e do país africano Burkina Faso. Os bens comuns, que todos nós utilizamos e que foi tratado no evento são, por exemplo, a água, o ar, a biodiversidade, e o patrimônio cultural e imaterial.

Durante os três dias do Fórum, que terminou nesta sexta-feira (30), foram debatidas questões comuns aos continentes europeu, africano e sul americano sobre produção de alimentos saudáveis, como cultura alimentar, desperdício, recursos hídricos e saúde. 

A terra, o solo e a justiça social também são bens comuns que têm relação direta com a nossa alimentação. Isso se deve ao modo de produção agrícola que pode ameaçar ou proteger os recursos naturais, explica Igor Simoni, professor de Licenciatura em Educação do Campo (LEC) da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), em entrevista ao Programa Brasil de Fato RJ

“O ar não pode ser aprisionado, mas ele deixa de ser um bem comum quando indústrias poluidoras usam a atmosfera do planeta como lata de lixo”, alerta.

Simoni participou da mesa de abertura do evento que levantou questionamentos como: “o que é um bem comum? Por que a alimentação tem influência sobre a qualidade e a disponibilidade deles?”. O professor destaca os exemplos de resistência de povos e comunidades indígenas e tradicionais em fazer com que os bens comuns “continuem servindo ao povo”.

Ele explica que ao longo da história do capitalismo no mundo, os bens comuns vêm sendo apropriados por interesses privados. “A gente tem, por exemplo, no estado do Rio de Janeiro a recente tentativa de privatização da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae), para transformar a água, que é um bem público e um direito humano, em fonte de lucro para empresas”, relembra Simoni.

Em 2016, brasileiros e franceses se reuniram em Pinheiral (RJ) para debater suas práticas de sistemas alimentares territorializados. Dois anos depois, os atores do primeiro encontro sentiram necessidade de aprofundar os vínculos e voltar a pautar essa temática.  

Edição: Mariana Pitasse