Alimento é Saúde

Para a saúde, hora de comer é coisa séria

Preparar refeições completas e com variedades de alimentos naturais é essencial para prevenção de doenças

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Ricos em açúcares e gordura trans, os alimentos industrializados chegam a ter um caráter viciante / Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil

Um dos desafios de quem vive nos grandes centros urbanos é o tempo, ou melhor, a falta dele. Longas horas de deslocamento para o trabalho, compromissos pessoais e tarefas da casa acabam ocupando nossos dias e algumas questões vão sendo deixadas para segundo plano.

A alimentação é uma delas. Afinal, são muitas as opções de lasanhas, pizzas e hambúrgueres congelados que só precisam de alguns minutos no microondas para ficarem prontos. A nutricionista funcional Pâmela Terra alerta que os alimentos industrializados tem menos nutrientes do que o necessário para o corpo humano.“São alimentos processados, ultraprocessados, refinados. Na verdade, o alimento in natura se descaracteriza todo para se tornar um alimento industrializado. Então, é muito difícil de digestão e absorção do nosso corpo, além dos altos teores de açúcar e sal, que acabam prejudicando a nossa saúde”, afirma.

Entre os industrializados, existem grupos de alimentos que passam por mais processos para ficar com o gosto e a forma que conhecemos. “Tem os alimentos processados e os ultraprocessados, qual seria a diferença? Por exemplo, você pegar um limão e fazer um suco de caixinha e adicionar um pouco de açúcar, seria um alimento processado, porque não tem mais o alimento in natura, ele passou por algum processamento físico ou químico. Já o ultraprocessado geralmente já vai ser adicionado vários aditivos químicos, muito açúcar ou muito sódio ou muito conservante", explica Aline Ozana, professora do curso de nutrição da Universidade da Amazônia. “São alimentos que você come, consegue obter calorias e nutrientes, mas nutricionalmente não são interessantes para o organismo e vão trazer muito mais malefícios do que benefícios", ressalta.

Além da falta de tempo para pensar e preparar uma refeição mais completa e variada, os alimentos industrializados também tem um forte apelo emocional. Aline Ozana lembra que geralmente, eles são muito saborosos e chegam a dar uma sensação de prazer em quem consome. "Quem nunca fez isso? Ah, eu tive um dia super estressante, eu mereço comer uma coisa gostosa, vou comer chocolate, vou comer só o que eu gosto, vou comer um sanduíche por que eu estou estressada e eu preciso sentir esse prazer", conta.

Talvez seja difícil tirar de uma vez por todas os alimentos industrializados da mesa, mas podemos encontrar o equilíbrio. A professora de nutrição recomenda que pelo menos 50% da alimentação seja composta de frutas, hortaliças e legumes – de preferência crus.

Comer uma maça ou banana depois do almoço ao invés de um chocolate, fazer sopa no final de semana para evitar pedir pizza ou esfirras, e levar marmita para o trabalho são exemplos de pequenas mudanças de hábitos que podem garantir uma vida mais saudável e duradoura. 

Edição: Júlia Rohden