CAPTURA

Autor de Massacre de Atocha, na Espanha, é preso em São Paulo

Ataque contra advogados e militantes do Partido Comunista ocorreu em 77; García trabalhava como motorista de aplicativo

Brasil de Fato | São Paulo (SP) |
García foi preso pela Polícia Federal nesta quinta-feira (6)
García foi preso pela Polícia Federal nesta quinta-feira (6) - Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Polícia Federal (PF) prendeu nesta quinta-feira (06) o espanhol Carlos García Juliá, um dos autores do chamado “Massacre de Atocha”, atentado terrorista que aconteceu em 1977 durante a transição democrática espanhola. A prisão ocorreu no bairro da Barra Funda, zona oeste de São Paulo (SP).

Segundo informações da PF, García trabalhava na cidade como motorista de aplicativo de transporte. O espanhol se passava por venezuelano usando um registro nacional emitido para estrangeiros com o nome Genaro Antonio Materan Flores.

A polícia também descobriu que García entrou no Brasil em 2001, pela cidade de Pacaraima, em Roraima, fronteira com a Venezuela. Seu paradeiro foi descoberto após uma investigação conduzida por agentes da PF que atuavam junto com a Interpol, órgão que ajuda na cooperação de polícias de diferentes países.

Massacre

García era procurado por ser um dos autores do atentado terrorista que ocorreu na Rua Atocha, centro de Madri, na noite de 24 de janeiro de 1977. Ele e seu comparsa, José Fernández Cerraz, foram condenados a 193 anos pelo assassinato dos advogados trabalhistas e militantes do Partido Comunista Enrique Valdelvira Ibañes, Luis Javier Benavides Orgaz e Francisco Javier Sauquillo, do estudante de direito Serafin Holgado e do funcionário administrativo Angelo Rodríguez Leal. 

Os dois eram membros do Fuerza Nueva, partido de extrema direita que atuou até 2015 defendendo o legado do ditador espanhol Francisco Franco, que comandou um regime fascista de 1939 a 1975, ano de sua morte.

Após sua condenação, em 1979, García chegou a cumprir 14 anos de prisão, mas conseguiu que um juiz autorizasse, em 1994, uma viagem ao Paraguai sob a alegação de que havia recebido uma proposta de emprego. No mesmo ano, a Justiça espanhola revogou a decisão, pedindo a extradição do terrorista. 

Dois anos mais tarde, a imprensa internacional aponta que García foi preso na Bolívia por tráfico de drogas e financiamento de grupos paramilitares, em uma prisão de segurança máxima de Palmasola, em La Paz. Seu paradeiro era desconhecido desde então.

Edição: Vivian Fernandes