Coluna

A oposição ao governo Bolsonaro precisa acelerar sua organização e pactuar ações

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15 de Janeiro de 2019 às 09:00
"Precisamos seguir estudando o que vem por aí para podermos nos preparar para agir da melhor forma possível" / Evaristo Sá/AFP
Não será nada fácil e os ataques se intensificarão

O ano mal começou e parece que já vivemos meses. Tudo isso graças ao (des) governo de Jair Bolsonaro e sua trupe. É de impressionar a quantidade de besteiras que o governo faz, dia após dia, e precisa então justificar ou voltar atrás.

São tantas as trapalhadas que fica até difícil selecionar algumas. Mas quero, ainda assim, comentar a que se refere a um novo edital para confecção de livros didáticos. Entre algumas das definições, o tal edital não mais obrigava que os livros contivessem as chamadas referências bibliográficas. Para quem não está familiarizado, tais referências funcionam como provas de que estamos tratando de questões cientificamente comprovadas e não apenas meras opiniões, sem garantia de serem reais ou até mesmo possíveis. Felizmente, o governo já recuou nesta definição.

Porém, por trás de tudo, precisamos seguir estudando o que vem por aí para podermos nos preparar para agir da melhor forma possível. Não será nada fácil e os ataques se intensificarão. Como já tratei antes, o exemplo de outros países com governos que seguem uma linha parecida deve nos servir como experiência para a nossa própria condução.

Uma outra questão que rendeu debate nos últimos dias foi a declaração da ministra Damares que afirmou que “meninos devem usar azul e meninas devem usar rosa”. Tal declaração da já polêmica ministra repercutiu em vários setores e até mesmo em grandes órgãos e empresas de comunicação, como a Globo.

Houve todo um tipo de reações críticas por parte da oposição. Porém, houve também quem ache que estas questões ditas ‘morais’ não merecem maior atenção, afinal elas seriam uma suposta forma do governo de criar uma ‘cortina de fumaça’ diante de outras questões ditas ‘importantes’, como as econômicas. Eu tenho pra mim que as duas questões são fundamentais e precisam ser enfrentadas. Mas, de forma organizada e bem pensada.

A oposição, institucional ou não, precisa acelerar sua própria organização e pactuar ações minimamente alinhadas. As tais pautas ‘morais’ são importantes porque envolvem a vida, literalmente, de milhões de pessoas. Elas também são utilizadas como sustentações de um discurso de ódio que alimenta e fortalece a coalisão do lado deles. Mas as pautas econômicas também vão precisar de muita atenção. E, de certa forma, carregam em si um perigo a mais: elas unificam o lado de lá. Que nos protejamos e nos preparemos cada vez mais.

Edição: Monyse Ravenna