CRIME ORGANIZADO

Proximidade da família Bolsonaro com milicianos não é novidade

No ano passado, operação prendeu criminosos que trabalhavam na campanha de Flávio Bolsonaro

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

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Flávio e Jair Bolsonaro compareceram ao aniversário de gêmeos milicianos na zona oeste do Rio / Reprodução

Apesar da operação deflagrada nesta terça-feira (22), mostrando os elos entre a família Bolsonaro e milicianos do Rio de Janeiro, a proximidade do clã – que ocupa cargos no Congresso Nacional, em assembleias legislativas e a presidência da República – com o crime organizado não é novidade.

Além de empregar a mãe e a mulher do chefe da milícia de Rio das Pedras, na zona Oeste do Rio de Janeiro, em seu gabinete quando atuou como deputado na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), o senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL) já apareceu publicamente em algumas fotos ao lado de outros criminosos de comunidades fluminenses.

Em agosto do ano passado, na operação "Quarto Elemento", que teve como alvo policiais acusados de praticar crimes como extorsão, estavam entre os presos os PMs e irmãos gêmeos Alan e Alex Rodrigues Oliveira. Os dois policiais são irmãos de Valdenice de Oliveira, tesoureira do PSL e assessora da liderança do partido na Alerj.

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À época, em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, Flávio negou que os gêmeos integrassem sua campanha eleitoral. Mas a assessora e irmã dos PMs revelou que os dois trabalhavam voluntariamente. Logo em seguida, veio à tona nas redes sociais uma imagem em que o presidente Jair Bolsonaro, ainda como deputado federal, e Flávio participam de uma festa de aniversário dos gêmeos.

Durante mandato como deputado, Flávio propôs via projeto de lei a regulamentação das “polícias mineiras”, um dos nomes para a milícia. Jair Bolsonaro, por sua vez, sempre fez apologia à tortura na ditadura militar e disse que grupos de extermínio no Rio de Janeiro seriam “bem-vindos”.

Edição: Mariana Pitasse