Coluna

Após derrotas eleitorais, direita tenta golpe na Venezuela

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De um lado o chavismo e do outro a extrema-direita que tenta chegar ao poder com um golpe / AVN
É mais um exemplo da velha tentativa de golpe de estado

Eu já escrevi sobre a Venezuela em outras oportunidades, mas retorno ao tema agora pelo destaque que tomou nos últimos dias. O país liderado por Nicolas Maduro foi alçado aos noticiários internacionais graças à tentativa de golpe em curso no momento em que escrevo estas palavras. Para quem não acompanhou, trata-se de uma tentativa do presidente da Assembleia Nacional assumir o poder no país, com o apoio de Donald Trump, o presidente dos Estados Unidos.

Para reforçar o entendimento, dá para traçarmos um paralelo com o Brasil: é como se Rodrigo Maia, atual presidente da Câmara dos Deputados, em meio as suas articulações para se reeleger presidente daquela casa, chamasse uma coletiva de imprensa para dizer que a partir de agora decidiu se considerar o presidente do Brasil sem ter obtido um voto sequer para isso. Ou seja, não faz sentido algum. É mais um exemplo da velha tentativa de golpe de estado.

Há muito a se falar, mas queria pontuar algumas questões neste nosso espaço. A primeira é sobre o último processo eleitoral, muito questionado pela oposição. Qualquer processo eleitoral, é bom que se diga, é passível de questionamentos e isso pode compor o próprio processo democrático. Mas não dá para deslegitimar o resultado eleitoral por apenas não concordar com ele. A última eleição na Venezuela contou com ostensiva observação internacional. Muitos observadores, entre eles o Zapatero, ex-presidente da Espanha.

A outra questão que queria pontuar é sobre os erros do governo de Maduro. Não tenho dúvidas que existiram e até já os pontuei melhor aqui em outras oportunidades. Mas é preciso que esteja clara a guerra econômica que é travada contra o povo venezuelano há anos. Inclusive, esta é a opção de setores da oposição. Desgastar o governo atacando o povo, como por exemplo, provocando desabastecimento de alimentos nas cidades.

O que está acontecendo, no final das contas, é que a Venezuela ganhou importância no tabuleiro da geopolítica mundial. Setores mais ligados à extrema-direita sentiram que seria o momento de derrubar Maduro, aproveitando que agora Jair Bolsonaro está na presidência do Brasil. Questionam a falta de democracia, mas defendem um verdadeiro golpe de estado. E neste tabuleiro da geopolítica mundial, como citei acima, não há outros times em campo. De um lado o chavismo e do outro a extrema-direita que tenta chegar ao poder com um golpe.

Edição: Monyse Ravena