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Resistir e lutar são os únicos caminhos para a liberdade

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"Ações voltadas para população do campo como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) mudaram a vida especialmente das crianças" / ASA Brasil
Esperança de um mundo em que todos e todas tenham os mesmos direitos

No alvorecer de cada dia e de cada ano renovam-se as esperanças de tempos melhores. Esperança de um mundo em que todos e todas tenham os mesmos direitos e condições para usufruir da luz do Sol. O que foi anunciado em 2018 e já se faz realidade em 2019, pode rapidamente fazer murchar nossas esperanças em um mundo de liberdade para todos e todas. Mas, como resistir e lutar sem esperança?

As medidas tomadas pelo novo governo, que começou dia 01 de janeiro de 2019, representam uma grande ameaça à liberdade dos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil. Um dos destaques que ganhou as páginas de jornais, rádios e sites de notícias foi a extinção do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), que foi desde 2003, responsável por várias políticas que garantiram o acesso de milhões de brasileiros e brasileira à alimentação. No Semiárido, ações voltadas para população do campo, das pequenas cidades e povoados, como o Programa Cisternas, Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), Seguro Safra, e a política de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater), contribuíram para a mudança na vida de muitas famílias, e especialmente a vida de muitas mulheres e crianças.

O aumento da população em situação de extrema pobreza, que cresce desde 2015, como consequência da crise política instalada no Brasil, e o conjunto de medidas tomadas pelo novo governo nos primeiros dias, devem colocar em risco as mudanças que começaram a acontecer na vida de milhares de famílias do Semiárido. Uma nova geração que poderia contar a história de suas famílias e comunidades, com prosperidades, liberdade e autonomia, e não mais de opressão, morte e fome. A reprodução de um passado que parecia distanciar-se nas páginas da história do Brasil é um risco real.

A extinção do CONSEA é colocar unicamente nas “mãos” do governo para definir os rumos e os caminhos da Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, quando o mesmo demonstra total falta de compromisso com a agenda dos direitos, da erradicação da miséria e da pobreza. É retirar dos movimentos sociais e das organizações da sociedade civil, no seu amplo e legítimo papel de representatividade, o direito de participar e opinar sobre os rumos da política. Como defender as garantias e direitos de alimentação do mais de 12 milhões de brasileiros e brasileiras que não tem alimento suficiente para atender as suas necessidades, considerando um governo e um congresso que estão a serviço do agronegócio e dos interesses do capital financeiro e empresarial?

Os cortes no orçamento para a agricultura familiar é um sinal de que a população mais pobre do Brasil que vive no campo, não é prioridade. Quando se fala em liberdade no Semiárido, está se falando em autonomia e em participação. Por isso defender recursos no orçamento da união e dos estados, para programas sociais e políticas públicas destinadas às populações do Semiárido é uma luta por liberdade. A dependência histórica, ou prisão, a qual os povos do Semiárido estiveram atrelados ao longo de séculos, remete a necessidade de manter-se organizado e mobilizado para recuperar os direitos perdidos.

Só quem pode falar por seus direitos é o próprio povo, é a própria classe trabalhadora que tem as condições de luta. Não se pode resistir e lutar sem esperança, por isso, é importante mantermos a chama acesa. A resistência e a luta por liberdade passam pela nossa voz altiva, por nossa organização e por uma comunicação que dialogue com a sociedade sobre os avanços, as ameaças que vivemos e as perdas já reais

Edição: Monyse Ravenna