Coluna

Campanha da Fraternidade ou um complô para uma grande conspiração

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Campanha antecede a Quaresma / Assessoria de Comunicação do Regional Sul 4 da CNBB
CNBB propõe para essa Quaresma o tema “Fraternidade e Políticas Públicas”

Para os cristãos, esse deve ser sentido da Quaresma e da Páscoa. Participar da corrente da fé é como entrar na companhia de gente que conspira contra o sistema perverso desse mundo. Então, o governo de extrema-direita que espiona bispos e cardeais que se reúnem em Roma para um sínodo poderia ter certa razão ao vê-los como risco para o sistema vigente. A Igreja cristã deve ser uma “conspiração de testemunhas”. Deve atestar que a vida tem a última palavra, vitoriosa sobre a morte e sobre todos os projetos sociais e políticos que ameaçam a vida das pessoas e da natureza. 

A cada ano, a celebração pascal convida os/as cristãos/ãs a nos juntarmos nessa conspiração pela Vida. Para cremos na ressurreição, precisamos experimentar viver em insurreição contra o sistema injusto. Precisamos experimentar, em nós mesmos e em nossas relações sociais, um modo de viver novo e transformador.  

No Brasil, para ensaiar a Páscoa na sociedade para além das Igrejas, a CNBB propõe para essa Quaresma o tema “Fraternidade e Políticas Públicas”. O lema é a palavra do profeta: “Serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is 1, 27). Somos chamados/as a participar em parceria com outras instituições públicas e privadas “em favor da implantação e execução de políticas públicas voltadas para a defesa e a promoção da vida e do bem comum, segundo a Doutrina Social da Igreja” (CNBB, Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, 2015- 2019, n. 124).  

As políticas públicas são as ações do governo que visam o bem comum e garantem os direitos de todas as pessoas na organização da vida social. As políticas públicas são organizadas pela ação do Estado e com a cooperação da sociedade civil e de organizações a serviço da educação, da saúde e de outros serviços sociais. Ao assumir esse assunto como tema da Campanha da Fraternidade 2019, a proposta é que todas as pessoas assumam uma postura cidadã e lutem por políticas que envolvam o poder público e a sociedade em benefício de todos os cidadãos. 

Por tudo isso, a celebração da Quaresma e da Páscoa de Jesus não pode e não deve ser mera repetição de ritos antigos. Celebrar o memorial do Senhor é atualizar sua ação no meio de nós em favor de toda a humanidade, “até que ele venha”, como, juntos, afirmamos na oração eucarística. 

Edição: Monyse Ravena