RESISTÊNCIA

João Pessoa é palco de ato contra a reforma da previdência

Parque da Lagoa foi tomado por milhares de manifestantes que defendiam a aposentadoria

Brasil de Fato | João Pessoa (PB)

,
Ato em João Pessoa em defesa da aposentadoria. / Heloisa de Sousa

Milhares de pessoas se reuniram no Parque da Lagoa, centro de João Pessoa, para protestar contra a proposta de reforma da previdência apresentada pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL). Militantes, professores, sindicalistas, estudantes e moradores da cidade foram dizer não à retirada de direitos que a reforma irá provocar. “Nós estamos nas ruas porque esse é o lugar onde povo deve colocar sua coragem, sua força e sua unidade. A sociedade brasileira não pode permitir que essa proposta de reforma da previdência passe, porque isso significa acabar com o maior patrimônio do povo brasileiro que é a previdência social e depois tirar o direito à aposentadoria”, explicou Luzenira Linhares, secretária de mulheres da Central Única dos Trabalhadores da Paraíba.

Sindicalistas cobraram dos parlamentares da PB uma posição favorável para os trabalhadores. / Heloisa de Sousa

O ato foi uma realização conjunta das frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, além das centrais sindicais. “Estamos resistindo não só na Paraíba, mas em todo o Brasil, contra a reforma da previdência que vai excluir toda a população brasileira, principalmente a juventude que irá entrar no mercado de trabalho nos próximos anos, por essa razão é que todos os movimentos sociais, frentes, centrais sindicais estão protestando. É o nosso primeiro ato e, com certeza, vamos continuar nas ruas para barrar essa reforma”, declarou Paulo Marcelo, presidente da CUT-PB.

Cartazes denunciavam a perversidade da reforma da previdência./ Heloisa de Sousa

Os manifestantes levaram faixas, cartazes e batucadas para dizer que a aposentadoria é do povo brasileiro e que essa proposta de reforma é contra as brasileiras e brasileiros. Foi o que nos explicou Bárbara Zen, militante da Marcha Mundial das Mulheres. “A reforma é antipopular e atinge principalmente a vida das mulheres, ela vai fazer com que a gente só consiga se aposentar depois dos 62 anos de idade, as mulheres rurais vão sofrer muito com essa reforma também, não vão conseguir se aposentar com as declarações de produção. Então assim essa reforma, de fato, piora a vida das mulheres, não leva em consideração a dupla ou tripla jornada de trabalho que as mulheres enfrentam diariamente e as quase 50 horas semanais que as mulheres trabalham a mais que os homens, então ela é direcionada, principalmente, contra as mulheres e ela é o braço forte do governo Bolsonaro, que é um governo misógino”, explicou Zen.

Batucada da Marcha Mundial das Mulheres em João Pessoa. / Heloisa de Sousa.

 

Durante a concentração do ato em João Pessoa./ Heloisa de Sousa.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Município de João Pessoa (SINTEM), Daniel de Assis, lembrou que a categoria é composta majoritariamente por mulheres e questiona: “como uma professora ou professor, que entra agora no sistema, tem que ter 40 anos de serviço para levar para ter sua aposentadoria integral? Essa reforma veio para piorar para as mulheres, os trabalhadores rurais e professores e permite que um trabalhador ganhe menos de um salário mínimo. Dizem que a previdência está deficitária, porque não cobram das maiores fábricas, indústrias e empresários, o pagamento das dívidas com a previdência?”

O Ato que começou às 15h foi encerrado próximo das 18h30 com a perspectiva de continuidade da luta, rumo à greve geral.

Edição: Heloisa de Sousa