Entrevista

"Com a capitalização, o INSS vai falir", alerta Boulos sobre a PEC da Previdência

Liderança do MTST debateu o tema em entrevista ao canal "À Esquerda", que estreou esta semana no YouTube

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Guilherme Boulos concedeu entrevista ao canal "À Esquerda" / José Eduardo Bernardes

O candidato à Presidência da República pelo PSOL nas eleições 2018, Guilherme Boulos, concedeu entrevista ao canal “À Esquerda”, apresentado pelos ex-parlamentares Lindbergh Farias e Vanessa Grazziotin. O projeto estreou esta semana no YouTube e tem apoio do Brasil de Fato.

Durante a entrevista, a liderança do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) avaliou os três primeiros meses do governo Bolsonaro (PSL) e debateu a proposta de reforma da Previdência em tramitação na Câmara e a importância do legado de Marielle Franco (PSOL).

Boulos entende que não se deve subestimar as intenções do governo, apesar das gafes do presidente. “Depois de três meses, é impressionante a quantidade de trapalhadas. Mas, se é verdade que o governo Bolsonaro tem aspectos de ridículo e de cômico, ao mesmo tempo, segue sendo extremamente perigoso  Já nesses três meses mostrou as garras, dizendo a que veio, com ataques à democracia, às liberdades, aos povos indígenas”, alertou. 

Para ele, o presidente coloca em risco a paz no continente latino-americano ao se aliar e abaixar a cabeça para o governo Donald Trump, dos Estados Unidos. Boulos ressalta que a intervenção militar no governo Nicolás Maduro, na Venezuela, só não aconteceu devido à resistência organizada do povo e ao "senso de soberania" dos cidadãos daquele país. 

“Eu costumo dizer que as teorias da conspiração [sobre intervenções dos EUA no continente] têm prazo de validade de 50 anos, que é quando se abrem os documentos da CIA. Aí, elas passam a se chamar de história. Seria ingenuidade da nossa parte pensar que não há nenhum tipo interesse econômico geopolítico dos EUA em tudo que aconteceu no Brasil nos últimos quatro anos”, disse.

Sobre o desmonte da Previdência, Boulos também tem uma visão crítica. "Na Previdência pública, quem sustenta hoje é o trabalhador, o empregador e o Estado. Na Previdência privada e na capitalização, será só o trabalhador. Vai acontecer o quê? O empregador vai contratar alguém que opte pela previdência pública? Claro que não, porque ele vai ter que contribuir", explicou. "Se for capitalização, ele não vai precisar pagar nada. Ou seja, a capitalização vai ser uma imposição e não opção. Ainda mais porque, se os trabalhadores que hoje sustentam o INSS forem para capitalização, pagando para banco privado, o INSS vai falir”, concluiu.

Boulos enalteceu a importância de Marielle Franco e lembrou que a vereadora foi assassinada porque batia de frente com as milícias no Rio de Janeiro: “Ela foi morta também porque era uma mulher negra que veio da favela e ocupou um espaço de poder que 'não era para ela'. Isso incomodava”. 

Ao final da conversa, Boulos reforçou a necessidade de se retomar o trabalho de base e as conversas com a juventude em todos os contatos do país para conter o avanço do autoritarismo.

 

* Colaborou Luciana Console.

Edição: Daniel Giovanaz