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Paralisação mobiliza mais de meio milhão de camponeses no Peru

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14 de Maio de 2019 às 22:04

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Pontes, estradas e rodovias foram fechadas por manifestantes em diversas zonas de todo país  / Divulgação
Peru vive crise política, econômica e social sem precedentes

O Peru segue mergulhado numa crise política, econômica e social sem precedentes. Em menos de dois anos, casos de corrupção envolvendo a construtora Odebrecht causaram uma reviravolta na vida de quatro ex-presidentes do Peru: a Justiça prendeu preventivamente Ollanta Humala; Alejandro Toledo fugiu para os Estados Unidos; Alan García cometeu suicídio; e, Pedro Pablo Kuczynski renunciou à presidência, teve pedido de prisão decretado e segue internado em estado grave de saúde. 

Também estão envolvidos nessa roda de corrupção a família do ex-ditador Alberto Fujimori, com a prisão preventiva de Keiko Fujimori, líder do partido de direita Força Popular. Além de parlamentares e juízes envolvidos em vendas de sentenças e tráfico de influência. 

Para amenizar a crise, quatro reformas constitucionais foram propostas pelo atual presidente do país, Martín Vizcarra, e submetidas a um referendo que ocorreu no dia 9 de dezembro. São elas: reforma do sistema do Conselho Nacional de Magistratura, reforma do financiamento de partidos políticos, proibição da reeleição dos parlamentares e retorno ao sistema bicameral. 

No entanto, no que concerne a questão da economia e, principalmente, a social, a situação vem piorando a largos passos. Um dos setores mais afetados, pelo modelo neoliberal imposto pelos últimos governos é o agrário. Os últimos levantamentos indicam que a pobreza extrema já soma 47% da população camponesa. 

Uma paralisação nacional foi iniciada nesse 14 de maio e teve participação de mais de meio milhão de camponeses de 15 regiões do país, exigindo uma política nacional agrária que defenda os interesses da pequena e média agricultura e não o interesse das transnacionais e exportadores. 

Pontes, estradas e rodovias foram fechadas por manifestantes em diversas zonas de todo país. As lideranças do movimento dizem que a paralisação terá duração de 24 horas, no entanto, afirmam que este prazo vai depender da disposição de diálogo do governo e das propostas apresentadas na mesa.

Edição: Vivian Virissimo