Coluna

Hoje o mar está para peixe!

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05 de Junho de 2019 às 15:05

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O peixe-boi, que não é peixe e sim um mamífero, é conhecido aqui também pelo nome de manati / Pixabay
Resolvi ver os nomes tupis de outros peixes e bichos que moram na água

Mussum, um dos componentes do grupo Os Trapalhões, tem sido muito lembrado ultimamente. Tem até um filme sobre ele. 

Vocês sabem porque ele tinha esse apelido?

Muçum é uma palavra da língua tupi, significa “o que desliza”, “o escorregadio”. E é o nome daquele peixe de água salgada que parece uma cobra. Em português, chama-se enguia.

Pensando nisso, resolvi ver os nomes tupis de outros peixes e bichos que moram na água.

O piraju ainda é chamado assim em alguns lugares, mas em outros traduziram o seu nome para o português e o chamam de dourado.

Mas muitos receberam nomes que nada têm a ver com o tupi.

Arraia é jabebira, palavra que significa “o que tem a pele estufada, encaroçada”. Bagre é jundiá, quer dizer, “cabeça com espinho”, tem esse nome por causa da barbatana.

Cascudo é chamado acari, cari e juruitaquara. Cari ou acari eu não sei com certeza, mas me parece ser “manhoso”. Juruitaquara é “o que fica deitado no buraco da pedra, na loca”. O peixe-boi, que não é peixe e sim um mamífero, é conhecido aqui também pelo nome de manati, palavra da língua do povo Taino, do caribe, e significa “peito de mulher”.

Os povos de língua tupi o chamavam de guaraguá, palavra que pode ter três significados, conforme a interpretação: peixe gordo, peixe redondo e morador das enseadas.

E continuamos com os bichos aquáticos. Uçá é o nome genérico de todos os caranguejos de unha pontuda. Significa “olhos na perna”, porque parece que ele tem mesmo olho na perna. Um caranguejo que permaneceu com o nome tupi no Nordeste é o guaiamum, palavra que significa “o indivíduo do buraco”.

Camarão, todo mundo deve se lembrar que é poti, pois aparece no gentílico de quem nasce no Rio Grande do Norte, potiguar, que é “comedor de camarão”. E um líder indígena que participou da expulsão dos holandeses chamava-se Poti e depois foi batizado como Felipe Camarão.

Mexilhão mantém em alguns lugares o nome original, sururu, que é “o bicho tímido, ou encharcado”.

E chegamos às rãs, cujo nome genérico em tupi é jia. Sapo em geral é cururu, não só o que nós chamamos por esse nome em português. A palavra cururu significa “rugoso”. O sapo-boi e o sapo-de-chifre são chamados de intanha ou intão, uma adaptação de jitã, que significa “rã forte”.

Bom… Já que terminei falando de sapo, lá vai um ditado caipira envolvendo o dito-cujo, mas em português mesmo: “Sapo não pula por boniteza, pula por precisão”.

Edição: Michele Carvalho