PAPO ESPORTIVO | Estados Unidos aplicam a maior goleada da história das Copas

Imagem de perfil do Podcast
Papo Esportivo

Ouça o áudio:

As norte-americanas não tiveram pena das tailandesas / Reprodução / Facebook / FIFA Women's World Cup
Faltou piedade dos Estados Unidos? Faltou futebol das tailandesas?

Eu confesso que quase perdi a conta. A Seleção dos Estados Unidos venceu a Tailândia por impressionantes 13 a 0 nesta terça-feira (11), na estreia das duas equipes na Copa do Mundo da França. Alex Morgan (uma das melhores jogadoras do mundo na atualidade) marcou cinco vezes e deu três assistências para gol. O placar é simplesmente a maior goelada da história das Copas do Mundo (somando as masculinas e femininas). Ao final da partida, as norte-americanas comemoravam o resultado e algumas jogadoras tailandesas choravam dentro de campo.

Bom, muita gente usou as redes sociais para criticar os Estados Unidos pela “falta de piedade”. Outros lembraram das palavras de Vanderlei Luxemburgo (hoje técnico do Vasco) que dizia que “a maior demostração de respeito com um adversário é continuar atacando e fazendo gols”. As norte-americanas (nas palavras de Alex Morgan) quiseram mostrar que “eram capazes” (como se alguém tivesse dúvida) e a treinadora da Tailândia, Nuengrutai Srathongvian, lamentou o resultado.

Mas de quem é a culpa? Faltou piedade dos Estados Unidos? Faltou futebol das tailandesas?

Nenhuma das opções acima, meu amigo. A culpa é da Dona FIFA.

Como bem observou a jornalista Amanda Marinho, colunista do site Planeta Futebol Feminino, a FIFA reservou cinco vagas da Copa do Mundo da França para a Ásia. A Austrália mesmo jogando pelo continente desde a década passada por conta de um “acordo” feito entre Joseph Blatter, então presidente da entidade, e os times da Oceania, ainda sobra na região e marca presença nas principais competições da modalidade. As demais quatro vagas são disputadas pelas seleções que chegam às semifinais da Copa da Ásia. Essa distribuição desigual faz com que seleções com menos tradição cheguem à Copa do Mundo. Caso da Tailândia.

Enquanto equipes mais fracas conseguem disputar uma Copa do Mundo por conta dessa distribuição, outras como o México e a Dinamarca ficam de fora. Seleções de qualidade e com bons trabalhos fora de campo na base e nos campeonatos adultos. É aí que mora o grande problema.

Agora eu pergunto: se a FIFA quer tanto democratizar o futebol e fazer com que países sem tanta tradição no futebol participem das suas competições, por que ela não ajuda as federações menores? Oferecer apoio e realizar investimentos também é papel do órgão máximo do futebol. Não adianta só ficar nos sorteios e nas ações de marketing. É preciso colocar a mão na massa. Sim, as coisas melhoraram. Mas ainda é preciso ir mais longe e fazer mais.

Ao mesmo tempo, também é preciso tomar cuidado com os “analistas de ocasião”. Falo de uma galera que só acompanha o futebol feminino em grandes eventos e vem dar de “gato mestre” nas redes sociais. O abismo entre Estados Unidos e Tailândia é enorme dentro de campo. Mas esse abismo se dá por conta de investimentos feitos na modalidade em um país e em outro. É preciso lembrar também que o futebol feminino foi marginalizado por muitos anos (e ainda é assim em vários lugares) e que as coisas só melhoraram faz pouco tempo. Reduzir toda uma modalidade aos 13 a 0 é passar recibo de desinformado.

Sobre a atitude da equipe dos Estados Unidos (que não “tirou o pé”), trago as palavras da grande Abby Wambach, um dos maiores nomes do futebol feminino em todos os tempos e campeã mundial e olímpica com a mesma seleção norte-americana:

“Se imagine no lugar delas. Esse é seu sonho, de jogar e marcar numa Copa do Mundo. Comemorem. Você diria a um time de futebol masculino para não marcar ou comemorar?”

O objetivo do futebol é fazer o maior número de gols possíveis e não permitir que seu adversário faça. Simples, pessoal. Sempre foi assim. Dito isto, parece mais sensato que todos nós utilizemos nossas vozes para cobrar mais visibilidade e estrutura para o futebol feminino no mundo todo.

Edição: Brasil de Fato (RJ)