PAPO ESPORTIVO | Alguns pitacos honestos sobre a Seleção Feminina

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Seleção Brasileira de Futebol Feminino / Assessoria / CBF
A derrota para a França ainda dói, mas algumas coisas precisam ser ditas

A derrota por 2 a 1 da Seleção Feminina para a França ainda dói um pouco. É verdade que a classificação para as quartas de final da Copa do Mundo era bastante complicada. Marta, Cristiane e companhia deram o sangue e fizeram o que dava pra fazer. Mas algumas coisas precisam ser ditas. Aqui vão alguns pitacos honestos.

1) As zagueiras Mônica e Kathellen mostraram sérios problemas nas bolas aéreas. Bárbara não inspirava confiança no gol brasileiro. Marta não estava 100% na Copa do Mundo. Ao mesmo tempo, nomes mais jovens como Ludmila e Geyse “sentiram” a pressão e também não foram bem. Acontece. É futebol.

2) Por outro lado, se a equipe contava com jogadoras que “não tinham condições de vestir a camisa da Seleção” (na opinião de alguns), a culpa é de quem convoca e de quem dá o aval para a convocação. Ou seja, o técnico Vadão e Coordenador de Futebol Feminino da CBF, Marco Aurélio Cunha, precisam ser cobrados pelas escolhas que fizeram.

3) Vadão está na Seleção desde 2015 (com uma pequena interrupção de 10 meses após os Jogos Rio 2016) e não conseguiu fazer um bom trabalho. Ponto. As boas atuações das nossas meninas foram muito mais fruto do talento individual delas do que de uma proposta de jogo sólida. Tanto que Marta estava marcando lateral no final da partida contra a França.

4) Ao mesmo tempo, Vadão insistiu em longos períodos de treinamento na Granja Comary e reclamou demais quando a “seleção permanente” foi desfeita. Fica difícil entender como o time cometia tantos erros se passou tanto tempo treinando. Mais uma na conta do treinador e da sua comissão.

5) Pouco se falou na mídia sobre a base da nossa Seleção Brasileira. Os Estados Unidos possuem categorias Sub-11 e valorizam muito o trabalho com as mais jovens. Por aqui, o time Sub-20 feminino ainda não tem técnico e o treinador do Sub-17 está no cargo há quatro anos sem apresentar algo sólido. Difícil.

6) As novas Martas, Formigas e Cristianes só vão aparecer se o futebol feminino receber o incentivo que merece. Não existe mágica. É preciso parar com esse papo demagógico de que o “talento das nossas meninas” resolve. Falta seriedade e vergonha na cara.

7) O clima entre os torcedores durante a participação do Brasil na Copa do Mundo da França foi fantástico. Mas, se você gostou de ver nossas meninas em campo, cobre dos dirigentes do seu clube que mantenha times femininos e vá vê-los jogando. Torça, grite e incentive.

8) Vi muita gente falando que Marta deveria se preocupar em jogar futebol e parar de usar batom dentro de campo. O que me estranha é o fato das mesmas pessoas que falam isso ignorarem solenemente os cabelos e chuteiras coloridas dos homens dentro de campo. Nunca pensei que um batom fosse incomodar tanta gente.

9) Em tempo: o batom da Marta só foi lembrado porque o Brasil foi eliminado. Ninguém reclama do corte de cabelo “cascão” do Ronaldo em 2002. Afinal, fomos campeões. Quando perdemos, precisamos achar um culpado.

10) A imprensa falou em superação, em garra e força de vontade das nossas meninas. Tudo isso dá um ótimo roteiro para matérias especiais, transmissão na casa das jogadoras e tudo mais. Onde está a cobrança em cima da CBF? Já tem gente demais passando pano pra eles.

Diante de todos os prognósticos, nossas meninas tiraram leite de pedra. Só espero sinceramente que a chama não se apague. Pelo bem delas e pelo bem do futebol feminino.

Edição: Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)