Coluna

A transferência de Lula é um movimento político e não uma decisão jurídica normal

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07 de Agosto de 2019 às 18:39
"Trata-se de uma reação contrária, de combate às revelações da imprensa alternativa que estão desmilinguindo Moro" / Douglas Magno /AFP
Lula vivo e livre continua sendo uma ameaça à consolidação do mal

Como uma escultura, cuidadosamente, as informações emergentes na imprensa investigativa, não alinhada ao Bolsonaro, vão dando forma e conteúdo à maior conspiração econômica e política da história do Brasil, a operação Lava Jato.

Os protagonistas da Lava Jato, burocratas estatais de altos salários e alta autonomia, passarão para a história como traidores. Traíram o país, traíram a Constituição Federal, traíram a democracia, traíram a República, traíram a verdade, traíram os brasileiros.

É neste contexto que deve ser entendida a decisão da juíza de Curitiba, determinando a transferência de Lula para um estabelecimento prisional em São Paulo, mais exatamente para a Penitenciária 2 de Tremembé, e negando os contra argumentos da defesa sobre as condições de cumprimento da pena e da própria pena. Transferência que, quando solicitada pela defesa em função da família, fora negada pela organização Lava Jato, argumentando que a presença de Lula em São Paulo poderia atiçar a resistência e as manifestações.

A transferência solicitada pela Superintendência da Polícia Federal no Paraná, porém, no atual contexto político, tornou-se conveniente para que a organização Lava Jato possa enviar um “recado": apesar das revelações constrangedoras da Vaza Jato, ainda temos força e podemos usar os aparelhos coercitivos do Estado, como quisermos, para eliminar os adversários.

Trata-se de uma reação contrária, de combate às revelações da imprensa alternativa que estão desmilinguindo Moro e poderão levá-lo à prisão. A organização Lava Jato quer barrar a investigação sobre suas práticas e decidiu fazer uma demonstração de forças ampliando e agravando, inconstitucionalmente, a prisão de Lula. Trata-se de uma guerra pela manutenção da extrema direita no governo, para isso quer avisar ao restante da direita que continua dando as cartas.

Não à toa, o Ministro Gilmar Mendes, ex Advogado Geral da União no governo Fernando Henrique, chama os envolvidos na força-tarefa da lava jato de organização criminosa.

Este campo político, já demonstrou seu desprezo pela constitucionalidade e pela democracia, em 1964 e agora. A vida para eles é um direito apenas para uma classe social e seus arredores, portanto, a deterioração das condições de vida do Lula é um cálculo racional nitidamente contido nesse movimento político realizado através de uma decisão jurídica. Lula vivo e livre continua sendo uma ameaça à consolidação do mal.

Edição: Marcelo Ferreira