RESISTÊNCIA

Novo tsunami da educação acontece em BH nesta terça (13)

Ato reúne estudantes, sindicatos e movimentos em defesa da universidade pública e contra a reforma da Previdência

Belo Horizonte

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Primeiro "tsunami" levou 250 mil pessoas às ruas da capital mineira / Maíra Cabral

Estudantes, profissionais da educação, sindicalistas e movimentos populares estarão nas ruas mais uma vez em Belo Horizonte, nesta terça (13), para protestar contra o governo Bolsonaro. O Tsunami da Educação, como ficaram conhecidas as manifestações que aconteceram em maio deste ano, tem concentração prevista para às 15h na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). De lá, será realizada uma caminhada até a Praça da Estação no Centro da capital mineira. A manifestação faz parte de jornada nacional e o ato acontece em, pelo menos, 80 cidades brasileiras.

Além de denunciar os cortes na educação e a reforma da Previdência, a manifestação também critica o programa Future-se, apresentado pelo governo federal no mês passado. Paula Silva, secretária geral da União Estadual dos Estudantes de Minas Gerais (UEE) e do Levante Popular da Juventude, explica que o Future-se possui um viés altamente privatizante, na medida em que prevê a entrega da estrutura da universidade à iniciativa privada, atacando a educação pública.

“O governo Bolsonaro, desde o início, colocou a educação como seu principal alvo de ataque.  Os cortes de verbas, a liberdade de cátedra que não tem sido respeitada, e agora o Future-se mostram que há um projeto de desmantelamento da universidade pública”, critica a estudante. Para ela, a entrada de empresas privadas nas universidades públicas retira a autonomia da instituição e abre perspectivas de uma privatização cada vez maior.

Valéria Morato, presidenta do Sindicato dos Professores do Estado e Minas Gerais (Sinpro), explica que, além da defesa da educação pública, gratuita e de qualidade, a manifestação em Minas Gerais é pela regulamentação do trabalho dos professores da rede privada de ensino. Sobretudo após a aprovação da reforma trabalhista em 2017 – que flexibilizou direitos conquistados pelos trabalhadores –, a situação dos professores é de sucateamento da profissão, de demissões em massa e de negação de direitos. “As escolas particulares visam cada vez mais lucro”, indigna-se.

Contra a reforma da Previdência

Além da educação, a defesa da Previdência é um dos motivos que levam as pessoas às ruas nesta terça (13). Após aprovada na Câmara, na semana passada, a reforma proposta pelo governo federal segue para o Senado, onde deverá ser votada em dois turnos da Casa.

Para Valéria, a manifestação é importante porque dialoga com a sociedade sobre as medidas de Bolsonaro que atacam, tanto a Previdência quanto a educação. “O nosso maior desafio é romper com o discurso da mídia comercial. Precisamos falar com o povo que a proposta real é a ‘não educação’ ao filho do trabalhador, ‘não saúde’ pública para o filho do trabalhador e que essa reforma mexe sobretudo com os pobres”, aponta.

Outras atividades

Na terça (13), às 10h, acontece na ALMG uma audiência pública para debater os desafios da educação superior em Minas Gerais e sobre a possibilidade de aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 26/2019 que garante recursos para a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), para a Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) e para a Universidade Estadual de Montes Claros (Uemg). A atividade é aberta e acontece no auditório da Assembleia.

Durante a tarde do mesmo dia (13), acontece no saguão da ALMG uma assembleia geral do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE), que convocou uma greve para esse dia. Em nota, a Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT) conta que sindicatos filiados a diversas centrais, movimentos populares e o movimento estudantil realizarão ações durante todo o dia, mas que se reunirão ao Sind-UTE às 16h.

Serviço

O que: Tsunami da Educação, contra o Future-se e contra a reforma da Previdência

Onde: Assembleia Legislativa de Minas Gerais, na Rua Rodrigues Caldas, 30, no bairro Santo Agostinho, em Belo Horizonte

Que horas: a partir das 15h

Edição: Elis Almeida