violência

Empresa invade e destrói Espaço de Experimentação Agroecológica em Itapipoca (CE)

Terreno foi doado em 29 de agosto de 1990 pela Diocese de Itapipoca para uma associação de pequenos produtores

Brasil de Fato | Fortaleza (CE)

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A empresa destruiu o Sistema Agroflorestal, retirou as mudas do viveiro, quebrou a encanação, fiação e o sistema de irrigação / Fotos: Cetra

Na manhã desta quarta-feira (4), o Espaço de Experimentação Agroecológica, situado na rua Cristo Redentor, bairro Violete, em Itapipoca (CE), teve o seu espaço invadido e destruído pela empresa Sobral e Palácio, que alega ter comprado o terreno da Diocese de Itapipoca. Segundo a nota da Rede de Agricultores e Agricultoras Agroecológicos/as e Solidários/as do Vales do Curu e do Aracatiaçu, a empresa arrombou o portão do Espaço, adentrou com retroescavadeira e motosserra, destruiu o Sistema Agroflorestal (SAF) existente, retirou as mudas do viveiro, quebrou a encanação, fiação e sistema de irrigação, e destruiu a caixa d’água do espaço.

 



Espaço era gerido pela Associação dos Pequenos Produtores da Região de Itapipoca desde 2005. (Foto: Divulgação/Cetra)

O terreno onde se localiza o Espaço de Experimentação Agroecológica foi doado, em 29 de agosto de 1990, pela Diocese de Itapipoca para a Associação dos Pequenos Produtores da Região de Itapipoca (APPRI).

Desde 2005, o espaço estava sob a gestão da Rede de Agricultores e Agricultoras Agroecológicos/as e Solidários/as do Vales do Curu e do Aracatiaçu, que, em parceria com o Centro de Estudos do Trabalho e de Assessoria ao Trabalhador (Cetra), vinha realizando trabalho em agroecologia, meio ambiente e estudos ambientais, mantendo no Espaço de Experimentação Agroecológica um sistema agroflorestal, viveiro de mudas de espécies nativas, assim como de espécies frutíferas ou já adaptadas à realidade do Semiárido, minhocário, casa de sementes crioulas, entre outras. Entramos em contato com a Empresa Sobral e Palácio e a mesma negou a compra do imóvel.

De acordo com o Cetra, a venda do terreno foi intermediada por uma gestão da associação que não foi eleita e não é reconhecida pelos associados. "Foi uma surpresa tanto para o Cetra quando a para a Rede. Os agricultores estão muito tristes e revoltados com o que aconteceu. Eles destruíram uma área de agrofloresta que estava sendo construída e cuidada desde 2004 como um espaço de experimentação", explica Cristina Nascimento, coordenadora do Cetra. Ela também afirmou que as organizações darão entrada com uma liminar para evitar que o restante do espaço seja destruído. "Também vamos entrar com uma liminar contra essa diretoria que tomou posse da Associação e que vendeu o terreno. Vamos solicitar também uma audiência com a Diocese de Itapipoca para eles possam nos explicar o que foi esse procedimento, já que foi reconhecida uma Associação que não é reconhecida pelos associados".

Nesta quinta-feira (5), o Espaço recebe um evento chamado de Alvorada Agroecológica, que está sendo organizado junto a movimentos populares da região para informar a população do bairro sobre o ataque e debater alternativas.

Confira, em breve, mais informações.

Edição: Monyse Ravena