SISTEMA INJUSTO

“Grito” denuncia moradias precárias em Curitiba

Comunidade 29 de março e outras ocupações recebem evento com lema “Este sistema não vale"

Brasil de Fato I Curitiba

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No dia 8 de dezembro de 2018, um incêndio considerado criminoso destruiu várias casas na comunidade / Giorgia Prates

Val, morador da área de ocupação Tiradentes, deu início com sua saudação ao 25º Grito dos Excluídos, que aconteceu na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), em uma região que abriga quatro áreas recentes de ocupação, organizadas entre 2012 a 2016.

Em comum entre os quatro territórios, o descaso da prefeitura, as ameaças e violências contra os moradores, o que se casou bem com o lema nacional do Grito deste ano: "Este sistema não vale".

"Meu grito hoje é que estão asfaltando trecho da estrada velha do Barigui, pensando nos caminhões que quebram. Mas não pensaram no saneamento e nas 1300 famílias habitantes das quatro comunidades", denuncia Val.

Participaram da atividade, que teve início às 14h, comunidades de base, pastorais sociais – caso da pastoral dos aposentados, pastoral carcerária, entre outras –, organizações populares e movimentos locais, caso do Movimento Popular por Moradia (MPM).

No início, o bispo auxiliar Dom Francisco Cota denunciou a exclusão social e elogia o fato de a atividade ser organizada em um espaço público e popular, na comunidade 29 de março – área que sofreu incêndio considerado criminoso em dezembro de 2018.

"Essa identidade está no evangelho, felizes os que têm fome de justiça, felizes os pacíficos, por isso estamos aqui sacerdotes, diáconos, lideranças negras", afirma. O religioso ainda denuncia os privilégios vividos pelo poder judiciário hoje nos dias de hoje. "Por que salários exorbitantes? O judiciário é uma vergonha neste sentido. O salário mínimo de um trabalhador deveria ser de 4 mil reais mas é de 900".

A caminhada e a luta por direitos

Os caminhantes no roteiro do Grito passaram pelas quatro comunidades localizadas na Cidade Industrial. Impressiona quem já havia tido contato com a região como, passados mais de sete anos da primeira ocupação local, pouca coisa mudou em termos de infraestrutura.

Na Tiradentes, datada de 2015, foi mostrado como a área está sob ameaça de despejo e do crescimento do aterro sanitário da empresa Essencis, segundo maior lixão de Curitiba, responsável por dejetos industriais, mesmo em região próxima à represa do Passaúna, que fornece água para a capital.

Já a área Dona Cida, ocupada em 2016, sofre ameaça recente de despejo forçado.

Ao passo que a área 29 de Março ficou conhecida nacionalmente quando, no dia 8 de dezembro de 2018, um incêndio considerado criminoso destruiu várias casas na comunidade. Até o momento, a prefeitura de Rafael Greca não deu uma solução para a situação das famílias.

“A 29 de março é uma área da prefeitura que poderia ser transformada em área de moradia. Depois do incêndio, nós levantamos como fênix das cinzas”, afirma Débora, uma das lideranças locais.

Edição: Redação Paraná