Alguns pitacos sobre os amistosos da Seleção Brasileira

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Papo Esportivo

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Seleção Brasileira empatou com a Colômbia e perdeu para o Peru / Lucas Figueiredo / CBF
Tite ainda segue preso aos seus conceitos, sem buscar uma outra alternativa

Assim como outros “guerreiros”, este colunista ficou acordado até duas e pouco da manhã desta quarta-feira (11) vendo mais uma atuação sofrível da Seleção Brasileira. A derrota por 1 a 0 para um Peru aplicado e organizado escancarou os problemas da equipe comandada por Tite. Isso já havia acontecido no empate em 2 a 2 contra a Colômbia na última sexta-feira (6). Dá até pra enumerar esses problemas. Assim, vamos a eles:

1) Tite ainda segue completamente preso aos seus conceitos, sem buscar uma outra alternativa para a Seleção Brasileira. É desse jeito que o time vai jogar e pronto. E sem ideias, ninguém sai do lugar. Ainda mais no futebol.

2) Utilizar Richarlison, David Neres ou Vinícius Júnior apenas no lado do campo “para gerar amplitude” é um desperdício sem tamanho. As melhores chances do escrete canarinho saíram quando estes mesmos jogadores abandonaram sua posição e tentaram abrir espaços. Não é difícil entender isso.

3) Casemiro é importantíssimo no balanço defensivo do Brasil dentro de campo. O grande problema está (novamente) nas alternativas. Senti falta de uma formação com Fabinho e Arthur por exemplo. Dois volantes que sabem apoiar, têm bom passe e são eficientes na marcação.

4) Alguém me explica por que raios o Alex Sandro não foi substituído em nenhum dos amistosos? O Jorge só foi lá pros Estados Unidos pra passear?

5) Amistoso é pra fazer teste. Tentativa e erro mesmo. E Tite poderia ter observado um cem número de formações e jogadores nas partidas contra Colômbia e Peru. Mas preferiu privilegiar o grupo da Copa América. Deu no que deu…

6) Bastou Ricardo Gareca fechar mais o meio-campo da sua equipe para que a Seleção Brasileira entrasse em parafuso. E isso nos leva de volta ao campo da falta de alternativas de Tite. Há como se pensar em diversos desenhos táticos com os jogadores convocados. O técnico, no entanto, seguiu preso no seu “jogo de posição” e alijou os talentos que tinha à disposição.

7) Neymar ainda é o nosso melhor jogador e ainda é indispensável sim. O que não quer dizer que eu concorde com tudo que ele fale ou faça. E a maneira como Tite e toda a cúpula da CBF passam a mão na cabeça do camisa 10 me preocupa demais.

8) Vinícius Júnior ainda é jovem e vai evoluir muito. Mas ele ainda precisa corrigir dois problemas graves: a afobação e as conclusões a gol. O atacante errou tudo o que tentou diante do Peru e acabou encaixotado na defesa.

9) Renan Lodi pinta como candidato a titular na lateral-esquerda, já que Filipe Luís e Marcelo já não têm mais o mesmo pique de antes. O grande problema está no outro lado. Aos 36 anos, Daniel Alves ainda é o dono da posição. E isso é preocupante.

10) Assino embaixo de tudo o que Tite disse sobre a empresa que organiza os amistosos da Seleção Brasileira. E digo mais: é inadmissível ver a equipe jogando longe de casa, longe dos seus torcedores e em gramados de procedência duvidosa.

Tite ainda tem prestígio por conta do título da Copa América. Mas ele corre o grande risco de morrer abraçado com seus conceitos e sua teimosia. É preciso abrir os olhos e olhar para o que acontece no futebol antes que a pressão se torne insuportável. Dunga, seu antecessor, seguiu o mesmo caminho e deu no que deu…

Edição: Brasil de Fato (RJ)