Crescimento da violência urbana sobrecarrega atendimento público no país

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Repórter SUS

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Somente a violência interpessoal gera cerca de 70 mil assassinatos ao ano, afirma coordenador de Vigilância em Saúde da Fiocruz / Foto: Tumisu / Pixabay 
Problema também dificulta o trabalho de promoção de saúde e prevenção de doenças

A violência urbana é um dos problemas que mais tem impactado a saúde pública no Brasil. Assassinatos de mulheres, de crianças, acidentes de trânsito e suicídios estão entre alguns tipos diretos da violência urbana, mas existem outros que impactam de maneira importante o Sistema Único de Saúde (SUS).

Rivaldo Venâncio, coordenador de Vigilância em Saúde e Laboratórios de Referência da Fundação Oswaldo Cruz comenta a questão no Repórter SUS, programa produzido em parceria com a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio da Fiocruz (EPSJV/Fiocruz).

“Nós temos a violência interpessoal que gera, por exemplo, 65 mil, 70 mil assassinatos ao ano. E dentre esses assassinatos têm os feminicídios, assassinatos de crianças, de policiais contra civis e civis em relação a policiais, além da violência interpessoal que não gera a morte”, destaca o pesquisador.

Outro aspecto da violência urbana está representada pelos acidentes de trânsito. “São cerca de 55 mil mortes por ano, incluindo atropelamentos, batidas de veículos nas rodovias, e dentro desses acidentes um que é marcante são os acidentes envolvendo motociclistas”.

Venâncio também aponta que o fenômeno dos suicídios entre jovens é outra dimensão da violência que tem crescido no país. Com isso, os atendimentos de urgência e emergência estão sufocados.

“Essa violência exige da rede de atenção em saúde, em especial das unidades de emergência, um mal atendimento imediato, uma sobrecarga crescente. As redes de pronto atendimento têm sofrido por conta da crescente demanda. Aquelas pessoas que estão com crise hipertensiva, com algum mal estar cardíaco ao procurarem as emergências, vão se deparar com atendimentos superlotados, os leitos de unidades de terapia intensiva, inclusive, ocupados por vítimas da violência urbana”.

A violência também interfere no trabalho cotidiano dos agentes de promoção de saúde, informação e prevenção de focos de doenças nos territórios como dengue, zika, chikungunya, febre amarela.

“E se eles não adentram às comunidades, aos domicílios, não há como ser feito esse trabalho de prevenção junto à comunidade”.

Edição: Cecília Figueiredo/ Saúde Popular