Racismo na ginástica artística: Arthur Nory e o preconceito que não se apaga

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Papo Esportivo

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Arthur Nory conquistou a medalha de ouro na barra fixa no Campeonato Mundial de Ginástica Artística em Sttutgart, na Alemanha / Fotos Públicas - CBG
Em 2015, Nory e outros atletas gravaram um vídeo fazendo comentários racistas

Medalha de bronze na prova do solo nos Jogos Olímpicos Rio 2016, Arthur Nory conquistou a medalha de ouro na barra fixa no Campeonato Mundial de Ginástica Artística em Sttutgart, na Alemanha, no último domingo (13). No entanto, enquanto o atleta brasileiro comemorava o título, internautas relembravam um caso de racismo envolvendo Nory e o também ginasta Ângelo Assumpção. 

Em 2015, Arthur Nory (que na época era conhecido como Arthur Mariano) e outros atletas gravaram um vídeo fazendo comentários racistas sobre a cor da pele de Ângelo: “O saco do supermercado é branco, o de lixo é preto por quê?”. Os ginastas Felipe Arawaka e Henrique Flores também apareceram no vídeo. Com a repercussão negativa, os atletas foram afastados por 30 dias pela Confederação Brasileira de Ginástica (CBG) e ainda gravaram um vídeo no qual pediam desculpas a Ângelo Assumpção e diziam que tudo não passava de uma “brincadeira”. 

Arthur adotou o sobrenome Nory e seguiu a carreira. Logo na sua primeira grande competição, ficou com o bronze no solo nos Jogos Rio 2016. Na época, em entrevista ao Globo Esporte, o técnico de Nory, Cristiano Albino, minimizou o caso de racismo envolvendo seu atleta: “Já é um assunto esquecido. Não temos que voltar em coisa ruim. Foi comprovado judicialmente que foi uma brincadeira entre amigos”. Enquanto isso, Ângelo, que foi “blindado” junto com os outros atletas envolvidos no caso pela CBG, só viria a se manifestar mais de um ano depois, já sem patrocínio e sem o ânimo de antes. 

Há quem possa pensar como Cristiano Albino. Por outro lado, é preciso lembrar que atitudes como a de Arthur Nory ainda são bastante comuns. Dentro e fora do esporte. Ofensas relacionadas à cor da pele que se travestem de “piadas” e “brincadeiras” quando o alvo resolve se manifestar ou quando o grande público toma conhecimento disso. Embora a CBG tenha tentado abafar o caso (como tentou fazer quando o técnico Fernando de Carvalho foi acusado de abuso sexual por mais de quarenta atletas), casos como este não possuem prazo de validade. 

O combate ao racismo evoluiu muito nos últimos anos. O que era “aceitável” e tratado como “brincadeira” passou a ser considerado ofensa grave e passível de punições severas. Pelo menos dentro do esporte. O grande problema está naqueles que insistem em “passar pano” em situações como essas. Seja por ainda não entenderem que é preciso mudar ou por não desejarem ver o atleta promissor fora das competições. Mal percebem que acabam transformando o racismo em algo “tolerável” para todos. 

É bem possível que Arthur Nory tenha se arrependido amargamente da sua “brincadeira”. Não somente pelo ato em si. Mas também por perder a confiança de alguém que o chamava de amigo, como o próprio Ângelo Assumpção fez questão de frisar mais de uma vez. E pelo que se viu nas redes sociais nesse final de semana, a carreira de Arthur Nory, por mais vitoriosa que seja, vai carregar essa mancha por muito, muito tempo. 

E essa seleção hein? 

Está cada vez mais difícil defender Tite e a Seleção Brasileira das críticas. Os jogos contra Senegal e Nigéria disputados em Singapura só serviram para desfalcar os clubes e provocar a ira da torcida. Nada além disso. 

Fluminense precisa se afirmar no Brasileirão

O Fluminense encara o Athletico Paranaense nesta quinta-feira (17) no Maracanã. É jogo para se afirmar no Brasileirão e concretizar a arrancada. Marcão vem mandando muito bem até aqui. 

Edição: Vivian virissimo