Coluna

Bolívia vive dias de tensão pós reeleição de Evo Morales

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07 de Novembro de 2019 às 15:03
Evo Morales assumirá seu quarto mandato consecutivo nos próximos dias / AFP
Auditoria da OEA não apresentou nenhuma irregularidade no processo eleitoral

Desde o dia 26 de outubro, quando o Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) anunciou o resultado oficial das eleições presidenciais na Bolívia, conduzindo o atual presidente Evo Morales para o seu quarto mandato consecutivo que a tensão se eleva entre os partidários do candidato vitorioso e a oposição que não aceita o resultado das urnas. 

Para conter o conflito, o presidente Evo Morales solicitou que a Organização dos Estados Americanos (OEA), que está acompanhando o processo eleitoral com 92 observadores internacionais, realizasse uma auditoria autônoma do resultado e conclamou para que o segundo colocado no pleito, o ex-presidente Carlos Mesa aceitasse essa decisão que deve ser anunciada nos próximos dias. 

Todas as pesquisas de opinião feitas antes da eleição indicavam uma ampla vantagem de votos para o candidato Evo Morales, principalmente porque desde que assumiu o seu primeiro mandato em 2006 a Bolívia experimenta uma estabilidade política sem precedentes e a economia vem obtendo taxas de crescimento superiores aos países da região com ampla distribuição de renda e riqueza.  

O seu principal adversário, segundo colocado nas urnas, Carlos Mesa tem sua biografia manchada de sangue, pois é responsabilizado pela população pelo massacre na chamada guerra do gás, quando era vice-presidente de Gonzalo Sánchez de Losada, que resultou na morte de 70 pessoas, além de mais de 400 feridos em 2003. 

Mas quem tem liderado as principais ações violentas nas ruas, principalmente das cidades da chamada “Media Luna” é o empresário golpista radicado em Santa Cruz de La Sierra, Luis Fernando Camacho, que não foi candidato e que através das redes sociais e com apoio da direita boliviana e dos meios de comunicação não aceita a auditoria da OEA e tem convocado as Forças Armadas para uma intervenção militar no país. 

A tática golpista é aumentar os atos violentos e os confrontos que já vitimaram 3 pessoas, a fim de desestabilizar o país antes dos resultados da auditoria da OEA que até agora não apresentou nenhuma irregularidade no processo eleitoral.

 

Edição: Vivian Virissimo