Protestos

Coluna | Observatório dos conflitos urbanos de Curitiba

Confira os protestos que aconteceram no mês de outubro na capital e região Metropolitana

Curitiba

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Professores e outros servidores públicos fizeram manifestações em defesa de seus direitos / APP Sindicato _divulgação

A cada mês, o Observatório dos Conflitos Urbanos de Curitiba apresenta o resumo dos principais protestos ocorridos na capital paranaense e Região Metropolitana. O Observatório é composto por professores e pesquisadores da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e da Universidade Federal do Paraná (UFPR)

Trabalho e direitos trabalhistas

No mês de outubro, houve manifestações de muitas categorias de trabalhadores reivindicando melhores condições de trabalho, salários, plano de carreira, direitos. No dia 17, agentes penitenciários realizaram um ato pedindo ao secretário de estado que cumprisse o que prometeu à categoria, mas as negociações ainda estão em andamento. Agentes da endemia da Secretaria Municipal de Saúde, porém, não conseguiram avanços nas negociações com a Prefeitura Municipal de Curitiba.

Também os funcionários do Hospital de Clínicas, ligado à UFPR, protestaram contra demissões. Os manifestantes cobraram esclarecimentos sobre a dispensa de mais de 500 funcionários devido a uma ação civil pública do Ministério Público do Trabalho, que cobrava do HC contratações de concursados, por ser um hospital público. Em contrapartida, o Ministério da Educação não repassou verbas para que as demissões sejam efetivadas como acordado. Os desligamentos devem ocorrer até 24 de novembro.

Servidores da Receita Estadual também protestaram contra a mudança da gestão. Ao menos 48 deles pediram demissão dos cargos em protesto contra a nomeação de Renê Garcia como secretário de Estado da Fazenda por Ratinho Júnior. O motivo é desvalorização da instituição e a falta de reconhecimento aos funcionários.

Funcionários da Copel também aprovaram paralisação. Os funcionários questionam os vários ataques contra os direitos trabalhistas, como corte no abono, redução de gastos, apesar dos relatórios apontarem lucros crescentes da empresa em relação ao ano anterior. Sindicatos convocaram assembleias e houve rejeição de 90% à minuta proposta pela COPEL. Foi  aprovada paralisação para o dia 6 de Novembro.

No dia do Dia do Servidor (28 de outubro), funcionários públicos fizeram manifestação em frente ao Palácio Iguaçu, sede do governo do Estado, no Centro Cívico, contra as más condições de trabalho. O Fórum das Entidades Sindicais do Paraná (FES/PR) montou um “cemitério” de cruzes representando o adoecimento e os suicídios na categoria. Os servidores também protestaram contra as medidas do governo do Estado que atacam seus direitos, como o fim da licença-prêmio.

Educação

Outra pauta importante foi a defesa da educação pública. No início do mês aconteceram diversos atos durante o chamado Dia Nacional de Lutas em Defesa da Educação e do Petróleo (3), que durante a tarde reuniu nas ruas de Curitiba a comunidade acadêmica universitária em mais uma ação do chamado “Universidade na rua”. Foi um diálogo com a população por meio da exposição de projetos de pesquisa, ensino e extensão desenvolvidos, demonstrando a importância do conhecimento produzidos, além do protesto contra os fechamentos de escolas públicas no Paraná e denúncia aos ataques às universidades e sua autonomia, como a proposta de corte na Lei Orçamentária de 2020, o projeto Future-se, que mercantiliza a educação e ameaça a educação pública do país. 

À noite, em um ato unificado, o 5º Tsunami da Educação marcou presença, junto com petroleiros, professores, movimentos sociais e sindicais, ao defenderem a educação, a Amazônia, as estatais brasileiras, e denunciando os graves ataques do governo Bolsonaro à soberania nacional. Nos cartazes, frases como “Brasil: ame-o, pesquise-o e transforme-o” e “Educação desenvolve o pensamento crítico: isso te dá medo?”, os manifestantes seguiram em marcha da Praça Santos Andrade até a Boca Maldita.

Crianças pela garantia de permanência

Entre os dias 16 e 18 e outubro aconteceu o XIII Encontro das Crianças Sem Terrinha. O objetivo foi discutir e cobrar do Estado a garantia de direitos básicos, como acesso à cultura, à educação, à terra, à moradia e à saúde. Cerca de 400 crianças participaram e elaboraram um manifesto, que foi lido na bancada da Assembleia Legislativa do Paraná. A maior ênfase foi a exigência da permanência na terra, visto que ocorre no estado uma onda de despejos .Além da entrega do manifesto à Alep e ao governo do Estado, a programação foi composta por apresentações artísticas, oficinas, brincadeiras, contação de história e visita ao Zoológico de Curitiba. As crianças ainda visitaram a Vigília Lula Livre.

Mulheres de presos realizam manifestação contra maus tratos

Protestaram no dia 2 cerca de 50 pessoas, entre esposas e familiares de presos da Penitenciária de Piraquara, contra maus tratos relatados no presídio. A manifestação, que começou em frente à prefeitura de Curitiba, se deslocou até o Fórum de Execuções Penais no Alto da Glória. Os manifestantes alegam que agressões físicas e psicológicas teriam sido cometidas pela Seção de Operações Especiais do Depen-PR, e que as visitas íntimas poderão ser impedidas pelo órgão de segurança.

 

Edição: Frédi Vasconcelos e Simone Polli