VIOLÊNCIA

Rio de Janeiro: 2019 tem recorde de morte por agentes policiais

Até outubro, ocorreram 1.546 mortes; esse é o maior número registrado pelo ISP desde o início da série histórica em 1998

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

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Julho foi o mês que mais acumulou mortes por intervenção de agentes do estado, somando 194 vítimas, segundo o Instituto de Segurança Pública / Fernando Frazão/Agência Brasil

Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) divulgados nesta semana apontam que 2019 já registra o maior número de mortes por policiais no estado do Rio desde o início da série em 1998. Até outubro deste ano já ocorreram 1.546 mortes. O número ultrapassou o somatório do ano de 2018, considerado o maior até então.

Julho foi o mês que mais acumulou mortes por intervenção de agentes do estado, somando 194 vítimas. O número é 49% maior do que o registrado no mesmo período do ano anterior. Até o momento, apenas os meses de junho e agosto tiveram um índice de letalidade da polícia inferior ao do mesmo período do ano passado.

A média de mortes provocadas por agentes da segurança pública do estado do Rio é de cinco pessoas por dia. O dado está em consonância com a política adotada pelo governador Wilson Witzel (PSC) para a segurança pública que já declarou em diferentes ocasiões defender o “abate de criminosos”. A estratégia adotada pelo governo tem vitimado também pessoas inocentes. Em 10 meses, seis crianças morreram vítimas de tiroteio no Rio.

O recém-lançado relatório"Retratos da Violência – Cinco meses de monitoramento, análises e descobertas", produzido pela Rede de Observatório da Segurança em cinco estados – Bahia, Ceará, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo - , também traz dados preocupantes com relação ao Rio.

De acordo com o estudo, em cinco meses, a Rede registrou que em 28% das ações policiais monitoradas houve mortos e feridos. O Rio de Janeiro se destacou pela letalidade das intervenções policiais: 49% das ações monitoradas teve vítimas. São Paulo registrou 11%; Bahia, 12%; Pernambuco, 5%; e Ceará, 3%.

 

Edição: Mariana Pitasse