Privatização

Autorizada a desestatização dos parques de Jericoacoara, Lençóis Maranhenses e Iguaçu

Bolsonaro assinou decreto para permitir a concessão de unidades que receberam 3,1 milhões de turistas em 2018

Um decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro inclui três unidades de conservação no Programa Nacional de Desestatização.

De acordo com o texto, publicado no Diário Oficial da União nesta terça-feira (3), podem entrar em concessão para a iniciativa privada os parques nacionais dos Lençóis Maranhenses (Maranhão), Jericoacoara (Ceará) e Iguaçu (Paraná) — três destinos turísticos dos mais procurados no Brasil. 

Dados do Ministério do Turismo mostram que o sistema de parques nacionais têm atraído um número crescente de turistas. Foram 12,4 milhões de visitas em 2018.

O Parque Nacional do Iguaçu (PR) é o segundo mais buscado, tendo recebido 1,89 milhão de visitantes. Na sequência do ranking está o Parque Nacional de Jericoacoara (CE), que recebeu 1,09 milhão de visitas em 2018. Somadas, as três unidades receberam 3,1 milhões de turistas.

O decreto prevê que as empresas que ficarem responsáveis pelos parques terão responsabilidade para “fins de concessão da prestação dos serviços públicos de apoio à visitação, com previsão do custeio de ações de apoio à conservação, à proteção e à gestão” das unidades.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) poderá ser contratado para "elaborar os estudos necessários às concessões"  e "apoiar as atividades de supervisão dos serviços técnicos e de revisão de produtos contratados".

 

Parque Nacional do Iguaçu, em Foz do Iguaçi (PR), é o segundo parque nacional mais visitado no Brasil, ficando atrás apenas do Parque Nacional da Tijuca (RJ), onde fica o Cristo Redentor (Foto: Christian Rizzi/AFP)

"Toma que o filho é teu"

Atualmente, as unidades que o governo pretende alienar são administradas pelo Instituto Chico Mentes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Um estudo realizado pelo instituto concluiu que, em 2017, os visitantes gastaram cerca de R$ 2 bilhões nos municípios do entorno das unidades de conservação, tendo gerado cerca de 80 mil empregos diretos e R$ 2,2 bilhões em renda para a população local.

Segundo o ICMBio, para cada R$ 1 investido nessas áreas naturais, R$ 7 retornam para a economia.

No decreto de Bolsonaro, entretanto, não há detalhes sobre os termos do processo de desestatização ou menção sobre o tempo de duração das concessões.

Em maio deste ano, o ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles já havia informado que o governo tem planos de conceder 20 unidades de conservação para a iniciativa privada. 

À época, Salles afirmou que a ideia é criar o mínimo de restrições e definiu o modelo como “toma que o filho é teu”.

A lista de estatais que o governo pretende privatizar inclui Correios, Serpro, Casa da Moeda, Telebrás, entre outras.

Editado por: Rodrigo Chagas

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