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Datafolha, a rejeição de Bolsonaro e uma maioria pedindo a liberdade de Lula

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11 de Dezembro de 2019 às 21:10

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Não há, segundo estatísticos que analisaram a pesquisa, nada que mostre que Jair Bolsonaro esteja crescendo perante a opinião pública / Antonio Cruz/Agência Brasil
A população começa a perceber a perseguição política contra o ex-presidente Lula

No último final de semana o Datafolha iniciou a publicação de uma pesquisa feita dias anteriores, que não somente avalia o presidente Jair Bolsonaro, seu governo e seus ministros, como também avalia outras questões importantes.

Em relação a avaliação do governo Bolsonaro, lamentavelmente, mais uma vez, a manchete da Folha de S. Paulo – o jornal vinculado ao instituto Datafolha – diz que estaria estancada a queda da popularidade de Jair Bolsonaro, em decorrência de uma melhora na economia do Brasil. Outros jornais também divulgaram a mesma informação. 

Entretanto, se nós formos analisar com profundidade os dados da pesquisa, não há nenhum elemento que indique que, de fato, essa melhora da economia seja algo concreto e duradouro. Tanto que o jornal não fala da melhora concreta da economia, ele fala da sua percepção, ou da percepção do povo brasileiro, de que a economia poderá vir a melhorar.

É óbvio que todos nós torcemos para que a economia melhore, para que os empregos sejam gerados, para que o poder aquisitivo das pessoas também melhore.

Mas, lamentavelmente, mesmo que o Brasil venha a recuperar o seu desenvolvimento econômico, pelo menos em parte, esse desenvolvimento e essa recuperação não atingirão a maior parte da população brasileira, porque esta é a que mais sofre com as medidas aprovadas recentemente pelo governo federal.

Eu me refiro principalmente à reforma trabalhista - que ainda deve passar por uma segunda etapa de modificações e votação no Congresso Nacional – e à Reforma Previdenciária. Em relação ao estancamento da queda da impopularidade de Jair Bolsonaro também não há, segundo os técnicos estatísticos que analisaram a pesquisa, nada que mostre que Jair Bolsonaro esteja crescendo perante a opinião pública.

Pelo contrário, o que existe é que na pesquisa anterior de agosto, havia uma rejeição significativa de 38% e agora essa rejeição passou a 36%. Ou seja, muito além dos menos de 30% quando ele iniciou o mandato.

Um outro fator importante, divulgado na última terça-feira (10), foi o fato de que, perguntada sobre o presidente Lula, a maior parte da população brasileira entende ser justa a sua liberdade.

Sobre isso é importante que reflitamos, porque ninguém acha que deve estar em liberdade alguém que tenha cometido delitos ou crimes. Então creio que a população começa a perceber, mesmo que de forma ainda incipiente e residual, que, de fato, o que o presidente Lula sofreu e sofre ainda é uma grande perseguição política. 

Penso que nós temos que continuar nos organizando, buscando a unidade nas oposições, defendendo não só a democracia, mas também a soberania e os direitos dos trabalhadores como um todo. E sem dúvida nenhuma, com o presidente Lula em liberdade a gente poderá ver e ter um reforço significativo nessa nossa luta e nessa nossa organização. 

Edição: Rodrigo Chagas