MARXISMO

Quem se responsabilizará pela tragédia vivida?

"As classes sociais não são um bloco uniforme. Têm divisões"

De um lado, Bolsonaro diz que “a economia não pode parar, os pequenos vão quebrar”. De outro, Doria e Rodrigo Maia dizem que “estamos todo no mesmo barco”. Mas afinal, que interesses estão por trás desses posicionamentos?

Uma das lições apreendidas pelo cientista e revolucionário Karl Marx, nascido há 202 anos, é que as figuras que se expressam na cena política – nesse caso, Bolsonaro, Doria ou Moro – são representações de interesses de classes sociais. Essas representações são sustentadas pela classe dominante, composta por latifundiários, empresários, banqueiros e industriais. Mas as classes sociais não são um bloco uniforme. Têm divisões.

O isolamento social é, até agora no mundo, a única e melhor medida para controle da pandemia. E essa medida, que paralisa parte das economias, coloca partes dessa classe social em conflito. A medida, inevitável para a preservação da vida, apresenta diferentes impactos para as frações da classe dominante.

Empresas como Havan e Riachuelo, indústrias representadas pela FIESP e pequenas e médias construtoras, vêm seu lucro cair com o isolamento social e sustentam Bolsonaro e o neofascismo no governo. A sustentação das outras representações é dada pelos bancos, pelas empresas de telecomunicações e pela mídia tradicional – que vêm aumentando suas taxas de lucro e recebendo grandes montantes de dinheiro como ajuda do governo em decorrência da pandemia.

Embora se expressem de formas diferentes, as diversas frações da classe dominante têm, em comum, a defesa de seus interesses econômicos às custas do sofrimento dos trabalhadores. O projeto neoliberal aplicado desde 2016 pela classe dominante limitou os investimentos nos serviços públicos com a EC 95, flexibilizou as leis trabalhistas, nos empobreceu e nos deixou ainda mais vulneráveis à crise sanitária e econômica que nos atinge.

Editado por: Pedro Carrano

|

Newsletter