Rio de Janeiro

Emergência

Onda de frio: cidades do RJ ampliam rede de acolhimento para atender a população de rua

Vereador Reimont rebate que vagas na capital são insuficientes; na região serrana abrigos tem média de 80% de ocupação

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ) |
A Secretaria Municipal de Assistência Social da cidade do Rio fornece, atualmente, 2.600 vagas na rede de abrigos da capital - Foto: Jewel SAMAD / AFP

 

A onda de frio que fez despencar as temperaturas no estado do Rio de Janeiro nas últimas semanas trouxe um alerta, principalmente, com relação à população em situação de rua. Na capital fluminense, desde a semana passada, 150 novas vagas em abrigos foram criadas pela prefeitura.

Para o vereador Reimont (PT), autor da lei 6.350, que institui a Política Municipal para a População em Situação de Rua, o número de vagas oferecidas pelo município é insuficiente e o outro problema apontado pelo parlamentar é a localidade dos abrigos. 

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“Não é possível que a gente continue pensando que um abrigo em Paciência para 200, 300, 400 pessoas, é um abrigo que as pessoas queiram ir, as pessoas não querem ir para Paciência e Jacarepaguá, não é que os bairros sejam ruins, mas é distante dos lugares onde esses moradores acessam algum tipo de renda. Se tivessem abrigos menores e mais humanizados  e próximos onde a população em situação de rua estabeleceu o seu vínculo, essas vagas não existiriam porque elas seriam ocupadas“, avalia o parlamentar.

Questionada pelo Brasil de Fato, a Secretaria Municipal de Assistência Social da cidade do Rio informou que existem atualmente 2.600 vagas na rede de abrigos da capital e todos os que procuram o abrigo estão sendo acolhidos.

Dados fornecidos pela prefeitura à reportagem, embasados Censo de População em Situação de Rua realizado em outubro do ano passado, apontam que há 7.272 pessoas em situação de rua, estando 25% abrigadas no momento da pesquisa em unidades de acolhimento e comunidades terapêuticas.

Ainda segundo o município, foram criadas emergencialmente mais 100 vagas nos três principais abrigos da cidade, na Taquara, Ilha do Governador e Paciência, para atender os que necessitarem e a Campanha do Agasalho foi reaberta, as caixas itinerantes que estavam nas estações do BRT foram colocadas nos dois prédios da Prefeitura do Rio, na Cidade Nova.

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Desde terça-feira (3), o Norte Shopping, no Cachambi também está acolhendo até 30 pessoas em situação de rua para pernoite. O shopping também oferece jantar e café da manhã para os acolhidos.

Região Serrana

O frio que atinge a capital nas últimas semanas chegou com ainda mais intensidade na região serrana. No município de Petrópolis, que tem cerca de 307 mil habitantes, a temperatura tem chegado a 6°C durante a madrugada. A prefeitura também adotou algumas medidas para acolher a população em situação de rua durante o período. 

Ao Brasil de Fato, a prefeitura informou que além dos dois abrigos, Núcleo de Integração Social (NIS) e Unidade de Acolhimento Temporário (UnAT), que oferecem 60 vagas, o município criou estruturas temporárias para o inverno, com 25 novas vagas no NIS. Nos dias mais frios, na semana passada, o município também disponibilizou mais 16 vagas em estruturas temporárias extras montadas no distrito de Itaipava.

De acordo com o governo municipal, os abrigos mantêm média de 80% de ocupação, tendo as estruturas temporárias sido utilizadas de forma adicional, oferecendo mais uma opção de abrigo, especialmente às pessoas dos distritos. 

Segundo o último censo realizado pela Rede PopRua, finalizado em abril deste ano, cerca de 160 pessoas vivem em situação de rua no município. Isto inclui os que estão ou não abrigados e ainda com os que se encontram em comunidades terapêuticas. De acordo com a prefeitura, o trabalho realizado pelo município visa o cuidado e a reinserção deste público na sociedade, por meio de tratamentos de saúde, capacitação para o mercado de trabalho e ações visando a reinserção no núcleo familiar.

Para o vereador Yuri Moura (Psol), que é presidente da Comissão de Educação, Direitos Humanos e Assistência Social, que vai encaminhar o Projeto de Lei da Política Municipal da População em Situação de Rua, o município, junto com instituições que realizam trabalho social, têm conseguido prestar acolhimento.

"Vivemos um momento em que a rede, que envolve instituições sociais, religiosas, de direitos humanos e Poder Público, está garantindo o acolhimento necessário e o acompanhamento das pessoas em situação de rua. Tenho acompanhado as abordagens e visitado os equipamentos. Também vamos garantir a aprovação do projeto de lei que cria a Política Municipal para População em Situação de Rua na Câmara Municipal", explica Moura. 

Edição: Mariana Pitasse