PANDEMIA

Diretores de escolas de Betim são exonerados e 10 escolas interditadas

Fato aconteceu na última semana, depois que professores deflagraram greve sanitária. Audiência acontece nesta quinta (19

Professores da rede municipal de Betim, cidade da Região Metropolitana de Belo Horizonte, foram surpreendidos por ações da Prefeitura. Após o anúncio da volta às aulas presenciais, os trabalhadores declararam uma greve sanitária e têm enfrentado uma série de reações. Cinco diretores e vice-diretores foram exonerados de seus cargos.

A situação teve início quando a Prefeitura de Betim anunciou que as aulas presenciais iriam retornar, em 9 de agosto, para a educação infantil, alunos do 7º, 8º e 9º ano do ensino fundamental e da Educação de Jovens e Adultos. O retorno acontece de forma híbrida (ensino remoto e presencial), com revezamento de turmas e com a manutenção do ensino remoto, caso a família prefira.

 Existem muitos professores ainda não vacinados com as duas doses contra a covid-19.

Os professores foram informados do retorno quando estavam nas férias do mês de julho. Eles foram convocados para retomarem os trabalhos nas escolas em 2 de agosto, como explica Luiz Fernando de Souza Oliveira, coordenador do Sindicato Único dos Trabalhadores (SindUTE) subsede Betim.

Em assembleia no dia 3 de agosto, os educadores decidiram deflagrar uma greve sanitária por tempo indeterminado, que começou no dia 9 – primeiro dia da retomada presencial.

Objetivos da greve

Os principais problemas apontados pelos educadores foi a falta de diálogo da Prefeitura com a categoria na construção dos protocolos sanitários, além de existirem muitos professores ainda não vacinados com as duas doses contra a covid-19. Os educadores apontam também falhas no protocolo de biossegurança, como o rodízio de professores entre as turmas, que poderia favorecer a transmissão comunitária do coronavírus.

O professor Luiz Fernando destaca ainda a falta de estrutura das escolas para cumprir os protocolos. Uma foto da Escola Municipal Osório Aleixo da Silva mostra, por exemplo, o pátio cheio de móveis que deveriam ser recolhidos pela Prefeitura.


Reprodução / WhatsApp

“Durante esse tempo de pandemia, a Prefeitura se esqueceu dos estudantes. Não tomou ações que garantissem a educação, não fez licitações para comprar equipamentos”, criticou o professor.

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A falta de tempo para a higiene da escola também aparece como ponto crítico, já que são vários turnos de quatro horas. Na opinião do sindicato, isso inviabiliza a limpeza necessária contra o coronavírus.

Prefeitura

Frente ao anúncio da greve, a Prefeitura de Betim entrou na Justiça pedindo que o protesto fosse considerado ilegal. Mesmo assim educadores de diversas escolas permanecem paralisados.

Em reação, cinco diretores e vice-diretores foram exonerados pela Prefeitura e impedidos de frequentar a escola por 60 dias. A assessoria informou que a exoneração aconteceu porque os diretores compartilharam notícias falsas em relação ao retorno das aulas. O sindicato discorda, informando que os diretores apenas comunicaram aos pais e alunos que os professores estavam em greve e, por isso, não haveria aula.

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Na sexta (13), a Guarda Municipal de Betim interditou 10 escolas que estavam com trabalhadores em greve. A Prefeitura informou, em seu site, que o objetivo foi utilizar os alimentos da merenda escolar para preparar marmitas para os alunos.

No entanto, Luiz Fernando chama atenção para a presença da Guarda Municipal, que não tem relação com a merenda escolar. “Criou um clima horrível. Qual a necessidade da Guarda para enfrentar mulheres professoras?”, questiona. “Nenhum governo tomou atitude tão autoritária”.

Respostas da Prefeitura

A Prefeitura de Betim contesta as denúncias. A Secretaria Municipal de Educação afirma que uma primeira versão do protocolo de biossegurança foi entregue em março ao sindicato e ao Conselho Municipal de Educação. Depois disso, teriam se seguido conversas e reuniões, até ser entregue um protocolo final aos diretores escolares, em 30 de julho.

O protocolo pode ser acessado aqui.

A porcentagem dos educadores completamente vacinados ainda não está disponível. A Prefeitura informou que todos os profissionais, incluindo os recém-contratados, estão imunizados com a primeira dose.

Audiência

Nesta quinta (19), acontece uma nova audiência entre Prefeitura e SindUTE, na qual a Justiça escutará os motivos dos educadores em defesa da greve. Logo depois, acontece a assembleia da categoria que decidirá os rumos da mobilização.

 

Editado por: Elis Almeida

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