Na mira do Senado

CPI aprova quebra de sigilos de Danilo Trento após empresário permanecer em silêncio

Senadores também aprovaram a convocação do empresário bolsonarista Luciano Hang para a próxima quarta (29)

Brasil de Fato | São Paulo (SP) |

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Danilo Trento, apontado pela CPI como um suposto diretor “fantasma” da Precisa Medicamentos - Edilson Rodrigues/Agência Senado

Diante do silêncio de Danilo Trento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, nesta quinta-feira (23), os senadores aprovaram a quebra de sigilo bancário, fiscal, telefônico e telemático do empresário.

Ele é sócio da Primarcial Holding e Participações, mas apontado pela CPI como um suposto diretor “fantasma” da Precisa Medicamentos, envolvida no escândalo da vacina indiana Covaxin.

Até o momento, Trento tem permanecido em silêncio na maioria das perguntas dos senadores, conforme direito garantido por um habeas corpus concedido pelo ministro Luís Roberto Barroso, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). 

Das informações mais relevantes, o empresário apenas informou que atua como diretor institucional da Precisa Medicamentos. 

Antes de dar abertura ao depoimento, os parlamentares também aprovaram a convocação do empresário bolsonarista Luciano Hang. Ele é um dos principais suspeitos de formar o gabinete paralelo, composto por figuras de fora do governo federal que aconselhariam o presidente acerca do uso de medicamentos comprovadamente ineficazes pela ciência para o tratamento da covid-19, como hidroxicloroquina e cloroquina.

Segundo o presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), Hang irá depor à CPI na próxima quarta-feira (29).

Quem é Danilo Trento?

Tanto a empresa de Trento, Primarcial Holding e Participações, como a Precisa Medicamentos, têm Francisco Maximiano como sócio e o mesmo endereço. Segundo o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da comissão, Trento e Maximiano viajaram juntos à Índia para negociar testes de covid-19 e a vacina Covaxin.

Outros senadores acreditam ainda que Trento tem relações com Marcos Tolentino, apontado pela CPI como o verdadeiro dono da FIB Bank, que ofereceu a carta fiança para a Precisa Medicamentos de 5% sobre o valor total de R$ 1,61 bilhão do contrato fechado com o Ministério da Saúde. Tolentino também é advogado e amigo pessoal de Ricardo Barros.

De acordo com uma reportagem da Revista Piauí, em 28 de maio de 2020, Marcos Tolentino se reuniu em seu apartamento em São Paulo com o então ministro da Saúde Eduardo Pazuello, Ricardo Barros, Wagner Potenza, ex-diretor comercial do FIB Bank, e Francisco Emerson Maximiano, dono da Precisa Medicamentos. O jantar serviu para apresentar os personagens à possibilidade de contratar as vacinas da Precisa.

Edição: Anelize Moreira