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Programa Bem Viver: “Nós pobres temos sobrevivido”, diz Salloma Salomão

Professor e artista fala sobre racismo na organização das cidades e na gestão da pandemia

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Produtor cultural e professor universitário, Salloma Salomão é o convidado do BDF Entrevista desta semana - Reprodução/ Arquivo Pessoal
Os povos originários e os negros têm sobrevivido, mas tem sido uma luta desigual

Para o professor universitário e produtor cultural Salomão Jovino da Silva, mais conhecido como Salloma Salomão, a pandemia do novo coronavírus reforçou o racismo e a violência contra a população negra nas cidades brasileiras, em especial São Paulo. Para ele, as marcas do racismo na organização das cidades mantém parte da população excluída e vulnerável.

“O Brasil nunca experimentou um governo conservador, de extrema direita, racista, que entregasse armas pra classe média branca se proteger. Essa alteração foi muito radical no meio da pandemia, a polícia do Rio de Janeiro entrou numa comunidade (Jacarezinho) e matou vinte e sete homens negros. Houve um desarranjo e para pior.”, disse em conversa com o Brasil de Fato Entrevista, repercutida na edição de hoje (13) do Programa Bem Viver.

Salomão é professor, produtor cultural, artista e liderança do movimento negro em São Paulo. Ele está lançando um livro de memórias em comemoração aos seus 60 anos e da sua atuação como um pensador da cultura negra no Brasil. Chamada “Pretos, prussianos, índios e caipiras: Culturas, identidades, memórias e invisibilidades históricas nos arredores da cidade de São Paulo nos séculos XVIII ao XXI" a obra traz memórias que remonta à trajetória dele e da família, revisitando as árvores genealógicas de negros trazidos ao Brasil no período colonial.

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“Nós pobres, via de regra, sobrevivemos. Nós temos sobrevivido. Os pobres sobrevivem no Brasil desde quando se criou uma distinção entre a classe colonial, os povos originários e os negros escravizados. Os povos originários e os negros desterrados têm sobrevivido, mas tem sido uma luta desigual”, pontuou.

Bolsonaro recebe críticas em Aparecida

Ontem (12), Dia de Nossa Senhora Aparecida, o arcebispo Dom Orlando Brandes fez uma crítica ao governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), durante a missa tradicional que ocorre em Aparecida, no interior de São Paulo. Mesmo sem citar o presidente, as críticas ficam evidentes em diversos momentos.

Brandes falou, por exemplo, que “para ser pátria amada, deve ser pátria não armada”, em uma referência aos tantos discursos armamentistas de Bolsonaro. O arcebispo também criticou discursos de ódio e fake news.

Durante as fala de Brandes, os ministros da Cidadania, João Roma, e da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, estavam na cerimônia. O presidente só chegou ao Santuário de Aparecida à tarde, para a missa das 14h. Depois do encerramento da cerimônia, o presidente subiu no altar e tirou uma foto com Dom Orlando Brandes usando máscara.

Não é a primeira vez que o arcebispo, sem citar Bolsonaro, faz uma crítica a ele. Tanto em 2019 como no ano passado, o religioso condenou discursos de ódio e lembrou da situação da Amazônia e do Pantanal, ressaltando como esses biomas estavam ameaçados por incêndios criminosos.

Nada para comemorar

O 12 de outubro é também o Dia da Resistência Indígena na América Latina, já que a data marca a chegada do colonizador italiano Cristóvão Colombo às Américas.

Na Europa, a data é chamada de “Dia da Hispanidade" e ainda celebra uma "descoberta" do novo mundo. Para os povos originários, no entanto, o marco significa séculos de exploração, violência, epidemias e extermínio.

Atualmente, existem cerca de 826 povos indígenas na região latino-americana. São mais de 45 milhões de pessoas, o que representa cerca de 10% da população do continente. Nos últimos anos, as investidas contra as populações originárias têm se acentuado com retrocessos legislativos e golpes de Estado.

Na Argentina, a data de ontem foi firmada como "Dia do Respeito à Diversidade Cultural". Movimentos indígenas e antirracistas prepararam um escracho à estátua do ex-presidente militar Julio Argentino Roca, no centro da capital, Buenos Aires. Roca liderou a chamada "Campanha do Deserto", que promoveu o genocídio de povos indígenas Mapuches na Patagônia, em 1876.

O Movimento de Mulheres Indígenas pelo Bem Viver convocou à primeira greve plurinacional em defesa do povo Mapuche, que tem sofrido despejos violentos na Patagônia. O movimento denomina esses crimes como "terricídio".

Na Guatemala e na Bolívia também houve atos. A maioria dos manifestantes levava cartazes com dizeres “12 de outubro, nada que celebrar”, em uma crítica ao discurso eurocêntrico de que se deve comemorar a chegada dos colonizadores ado continente.

Na segunda-feira (11), pela primeira vez na história, um presidente estadunidense comemorou o Dia dos Povos Indígenas, também em um ato de ressignificação para o dia de Cristóvão Colombo. O presidente Joe Biden fez um discurso homenageando às populações originárias das Américas, mas não deixou de comemorar a data em memória ao colonizador italiano.

Descoberta dos sabores

Quando as crianças começam a criar uma identidade alimentar? Que tipo de alimentos a criança deve comer em cada momento da infância? E a quantidade? A decisão dela importa quanto? Tem que forçar a comer ou não?

Para responder algumas dessas perguntas, tão presentes no dia a dia de pais e mães, o Brasil de Fato conversou com especialistas e cuidadores para compartilhar experiências sobre alimentação infantil e entender o que não deve ser feito de jeito nenhum e o que pode ser testado.

Festival de cinema

Até domingo (17) ocorre a Mostra de Cinema Cabíria Festival – Mulheres e Audiovisual, um circuito que chega na terceira edição. Assim como no ano passado a mostra ocorre virtualmente, podendo ser acompanhada por públicos de diferentes regiões do país.

São 25 filmes e 10 microfilmes de diferentes gêneros na programação. Este ano, as atividades e produções escolhidas são guiadas pelo tema “Inspirar para Respirar”. A iniciativa presta homenagem à cineasta carioca Lucia Murat, ícone do cinema nacional e ex-integrante da luta armada contra a ditadura militar.


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O programa vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 11h às 12h, com reprise aos domingos, às 10h, na Rádio Brasil Atual. A sintonia é 98,9 FM na Grande São Paulo.

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Edição: Sarah Fernandes