Reação

Deputados elaboram decreto para sustar medida que estabelece escolas cívico-militares no RJ

Proposta foi elaborada após decreto do governador que estabelece a transformação da Faetec em escolas de padrão militar

Um grupo de deputados estaduais do Rio de Janeiro organizaram um projeto de decreto legislativo para sustar os efeitos da lei estadual que institui o programa de escolas técnicas cívico-militares no estado. A proposta ainda não tem data para ser votada e é assinada por Carlos Minc (PSB), Waldeck Carneiro (PT), Flávio Serafini (Psol), Eliomar Coelho (Psol) e Jari Oliveira (PSB). 

O projeto construído pelos parlamentares tem como efeito suspender uma lei aprovada em 2002, que foi vinculada ao decreto apresentado pelo governador Cláudio Castro (PL) na última semana. O texto, publicado no Diário Oficial do Estado, estabelece a transformação das instituições de ensino profissionalizante da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec) em escolas cívico-militares.

Com ele, as escolas da rede pública estadual passarão a ser administradas também pela Secretaria de Polícia Militar, Defesa Civil e Corpo de Bombeiros.

Na justificativa do projeto, os parlamentares argumentam que a lei não cumpre o Plano Estadual de Educação (PEE/RJ), estabelecido em 2009, que reconhece o dever do estado de “desenvolver as aptidões para a vida produtiva, de forma integrada: educação, trabalho, ciência e tecnologia, sem perder de vista a característica marcante desse ensino, que é a flexibilidade de sua organização, a articulação com o Ensino Médio, sem a ele se atrelar, e a valorização da educação continuada, da experiência pessoal e profissional”.

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O decreto de Castro, duramente criticado por pesquisadores e profissionais ligados à educação pública em outras tentativas de converter o ensino civil ao militar, é um aceno de Castro ao presidente Jair Bolsonaro (PL). O governador vem tentando colar sua imagem à de Bolsonaro para se reeleger em outubro. O Rio de Janeiro é o estado do Sudeste onde Bolsonaro tem melhor desempenho nas pesquisas de intenção de voto.

Um dia após a publicação do decreto e as reações negativas, a Faetec informou que apenas as novas unidades da rede serão incluídas no Programa Escolas Técnicas Cívico-Militares do Estado do Rio. 

Também disse que no prazo de 90 dias, as Secretarias de Ciência e Tecnologia, Polícia Militar, Defesa Civil e Corpo de Bombeiros vão divulgar um plano de ações contendo os detalhes da mudança.

Editado por: Mariana Pitasse

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