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Tempero: "terceira via" mostra fragilidade com saída de Moro e cartada final de Doria

Programa traz comentários sobre os principais acontecimentos políticos da semana em formato de revista semanal

Rodrigo Vianna é jornalista desde 1990. Durante sua trajetória, já passou pela Folha de S. Paulo, TV Cultura, Globo e Record - Willians Campos

Uma "terceira via", que nunca deslanchou, de fato, na corrida eleitoral de 2022, perde ainda mais tração. A saída do ex-juiz Sergio Moro do Podemos para o União Brasil e a cartada final do então governador de São Paulo, João Doria, contra o seu partido, o PSDB, deixaram a possibilidade de um nome que poderia fazer frente à polarização entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Jair Bolsonaro, cada vez mais distante da disputa à presidência deste ano. 

Este é um dos destaques desta semana no Tempero da Notícia, programa produzido pelo Brasil de Fato, com apresentação do jornalista Rodrigo Vianna.

Assista ao Tempero da Notícia na íntegra:

Eleições

Enquanto Sergio Moro perdeu força dentro do Podemos e teve que sair em direção à fusão entre DEM e PSL, o União Brasil, em busca de uma vaga na Câmara Federal, Doria foi ousado e demonstrou sua fragilidade dentro do partido. Também pressionado internamente pelo PSDB, principalmente pela ala do deputado federal Aécio Neves, decidiu deixar a corrida à presidência para permanecer no governo de São Paulo. A jogada irritou diversas alas paulistas do partido, que cederam à pressão e lançaram uma carta de apoio à sua candidatura. 

No entanto, diversas análises indicam que a jogada de Doria pode custar caro. A ala que defende o nome do então governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, para a vaga, ainda segue ameaçando o paulista e a disputa interna enfraquece cada vez mais o nome tucano na disputa presidencial.  

::Eduardo Leite renuncia, e vice assume como governador do Rio Grande do Sul::

Lula

Já o ex-presidente Lula segue sua ronda por estados brasileiros. Na Bahia, onde o Partido dos Trabalhadores enfrenta dificuldades para emplacar um nome para suceder o governador Rui Costa, Lula participou do lançamento da candidatura de Jeronimo Rodrigues, secretário de Educação no estado. Ele terá como vice um nome do MDB, em coligação que busca manter o comando em um local estratégico, que é governado pelo PT desde 2007.

::"Indicado para presidir Petrobras não aceita o discurso de que o petróleo é nosso", diz Lula::

Antes da viagem para a Bahia, Lula participou de evento na UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) e se encontrou com artistas na capital fluminense. Entre os nomes que demonstraram apoio ao petista, estão Antônio e Camila Pitanga, Paulinho da Viola, Zeca Pagodinho, Teresa Cristina e a cantora Ludmilla. Ao prestigiar um show da escola de samba Mangueira, Lula ainda conversou com nomes como Chico Buarque e Gilberto Gil.

Panela de Pressão

Na Panela desta semana, o PSDB. O tradicional partido, que foi importante na redemocratização do país, baseado em um modelo de social democracia, foi perdendo identidade ao longo dos anos. Apesar de dois governos seguidos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1994-2002), desde a eleição de 2014, quando o então senador por Minas Gerais, Aécio Neves foi derrotado por Dilma Rousseff (PT), o partido se afastou dos valores democráticos, chegou a pedir recontagem de votos do pleito, apoiou o golpe contra a presidenta e foi tomado por lideranças empresariais que se aliaram a Jair Bolsonaro em 2018, como João Doria. 

Cafezinho

Na semana em que o ministério da Defesa, em nome dos generais das três Forças Armadas do Brasil, assinaram uma carta saudando o golpe militar de 1964, o Cafezinho desta edição vai para João Goulart. O presidente, que era vice de Jânio Quadros e assumiu o comando do país em 1961, teve que lutar desde os primeiros dias de seu mandato até sofrer um golpe em 1964.

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Ex-ministro de Getúlio Vargas e ligado a causas sociais, Jango tentou implementar importantes projetos, como a Reforma Agrária e acabou perseguido pelos militares três anos após sua posse. 

A queda de Goulart levou o país a 21 anos de trevas, mergulhado em uma Ditadura marcada pela morte de militantes políticos e ativistas, a cassação de partidos progressistas e uma crise econômica gigantesca.

Onde assistir

O programa vai ao ar todas as sextas-feiras, às 20h, no canal do Brasil de Fato YouTube e na TVT, canal 44.1 – sinal digital HD aberto na Grande São Paulo e canal 512 NET HD-ABC.

Moradores do estado de São Paulo podem acompanhar o programa pela Rádio Brasil Atual (98,9 FM na Capital Paulista e 93,3 FM na Baixada Santista), nos mesmos horários. 

As edições também estão disponíveis nas plataformas de podcasts e podem ser escutadas no DeezerSpotifyGoogle PodcastsItunes e Pocket Casts.

Edição: Rodrigo Durão Coelho