recorde triste

Número de pessoas obrigadas a deixar suas casas mais que dobrou em uma década: 100 milhões

Desde 2011, ano de início da Guerra da Síria, quantidade de deslocados não para de crescer

As crises globais vêm afetando cada vez mais pessoas redor do mundo. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), há hoje cerca de 100 milhões de pessoas que foram obrigadas a deixar suas casas, seja dentro ou fora de seu país de origem. Até o final de 2021, o mundo tinha 89,3 milhões de deslocados.

Em 2011, esse número era menos da metade: 38 milhões. É como se, desde aquele ano, toda a população da Argentina tivesse que deixar seus lares devido a emergências. E, apenas no último ano, outros 11 milhões – mais que o total da população portuguesa – passaram a enfrentar o mesmo destino. 

O guerra da Síria, conflito iniciado em 2011, foi responsável por iniciar a tendência de aumento dos deslocados e refugiados no mundo. Mais de dois terços deles saem de cinco países: Síria (27%), Venezuela (18%), Afeganistão (11%), Sudão do Sul (9%) e Myanmar (5%). 

Em 2022, a guerra na Ucrânia colaborou duplamente para a piora da situação. O conflito aumentou em 6 milhões o número de refugiados, o maior e mais rápido deslocamento na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Por outro lado, a produção local e a exportação de alimentos foi afetada. A Ucrânia e a Rússia, países envolvidos no conflito, produzem quase 30% do trigo comercializado no mundo, o que aumentou a escassez de alimentos.

O contexto econômico global desfavorável por conta da pandemia também afeta o cenário, bem como as mudanças climáticas, que causam secas e enchentes.

No Brasil, o cenário é de deslocamentos forçados por causa de enchentes e tempestados, que levam as pessoas a perderem suas moradias. O Internal Displacement Monitoring Center (IDMC), respeitada ONG internacional, calculou que, em 2021, aproximadamente 411 mil pessoas foram afetadas por esses desastres ambientais.

Direito à segurança

Nesta segunda (20) Dia Mundial dos Refugiados, o secretário-geral da ONU, António Guterres, visitou refugiados de diversas nacionalidades que vivem em Nova York, cidade sede da entidade. O português, que foi alto comissário das Nações Unidas para Refugiados entre 2005 e 2015, ressaltou a contribuição que essas pessoas podem dar à sociedade. 

"Em todo o mundo, os refugiados trouxeram vida nova, prosperidade e rica diversidade cultural às suas comunidades anfitriãs", disse, em mensagem oficial.

Neste ano, a ONU reafirma que todos têm o direito de buscar segurança. "O direito de pedir asilo é um direito humano fundamental. As pessoas que escapam da violência ou da perseguição devem ser capazes de cruzar fronteiras com segurança", afirma Guterres. É preciso, ainda, oferecer "oportunidades de curar, aprender, trabalhar e prosperar" e "oportunidades de voltar para casa se assim desejarem, ou reconstruir suas vidas em outro lugar, em segurança e dignidade", completa.

Já David Beasley, Diretor Executivo do Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU, ressalta que não há recursos para atender todos que buscam auxílio. "À medida que a fome global ultrapassa os recursos disponíveis para alimentar todas as famílias que precisam, estamos sendo forçados a tomar a difícil decisão de cortar as quantidade de alimentos para os refugiados que dependem de nós para sua sobrevivência”, lamenta.

 

 

Editado por: Thalita Pires

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