CORRUPÇÃO

MEC: PF diz que aliado de Milton Ribeiro ganhou moto como propina; ex-assessor foge da CGU

Caso ganha novos capítulos com pedido à PGR para investigação de Bolsonaro e novas revelações do esquema

Brasil de Fato | Brasília (DF) |
Não durou uma semana a promessa de Bolsonaro de que colocaria a cara no fogo pelo pastor Milton Ribeiro - Getty Images

O escândalo de corrupção no Ministério da Educação do governo de Jair Bolsonaro (PL) ganhou mais capítulos nesta terça-feira (28), quando o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) protocolará pedido de CPI no Senado para investigar o caso protagonizado pelo ex-ministro Milton Ribeiro.

Entre os novos elementos, estão a revelação de que um servidor do Fundo Nacional de Desenvolvimento Nacional da Educação (FNDE) ganhou uma motocicleta de pastores para agilizar a liberação de recursos da pasta.

Além disso, a terça-feira começou com a revelação de que um ex-assessor especial de Milton Ribeiro faltou a pelo menos quatro convocações da CGU (Controladoria-Geral da União) no âmbito da investigação sobre o balcão de negócios que operava no ministério.

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Na tarde de segunda-feira (27), a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), enviou para análise da Procuradoria Geral da República (PGR) um pedido apresentado pela oposição para que Jair Bolsonaro seja investigado no caso conhecido como escândalo do MEC.

O pedido foi apresentado ao STF pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), e o envio à PGR é praxe nesse tipo de caso. Cabe ao Ministério Público analisar se há indícios para abrir uma investigação.

Servidor ganhou motocicleta como propina

Com poder de determinar os compromissos na agenda do então ministro Milton Ribeiro, os pastores Gilmar dos Santos e Arilton Moura pagaram propina a um servidor do Fundo Nacional de Desenvolvimento Nacional da Educação (FNDE) para agilizar a liberação de recursos.

A informação foi revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo. Além de cobrar propina de prefeitos até em ouro, os religiosos teriam subornado com uma motocicleta um servidor do fundo que concentra a maior parte da verba da Educação.

O relato do suposto suborno foi narrado pelo atual ministro, Victor Godoy, e está registrado no inquérito aberto para investigar corrupção na gestão de Milton Ribeiro no MEC.

Ex-assessor faltou a quatro convocações

Um ex-assessor especial de Milton Ribeiro, amigo e braço direito do ex-ministro da Educação, faltou a quatro convocações da CGU (Controladoria-Geral da União) no âmbito da investigação sobre o balcão de negócios que operava no ministério.

A informação foi revelada pelo jornal Folha de S.Paulo. Segundo a reportagem, Odimar Barreto dos Santos era importante elo de Ribeiro com os pastores que negociavam verbas federais para prefeituras mesmo sem cargos no governo de Jair Bolsonaro.

Servidores do MEC confirmaram à CGU que o próprio Milton Ribeiro designou Odimar para atender os pastores Arilton Moura e Gilmar Santos e que ele se reunia com Arilton frequentemente na pasta.

Ex-ministro recebeu depósito de pastor

Uma equipe de agentes da PF identificou depósito bancário na conta do ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro, que teria sido feito pelo pastor Gilmar Santos. Ambos foram presos, na última quarta (22), pela Operação Acesso Pago. A quantia envolvida e a data da transação bancária não foram reveladas, em função do sigilo do inquérito.

O advogado de Ribeiro confirmou a informação, sem citar quem teria feito o depósito. Ainda conforme a defesa do ex-ministro, a origem do depósito seria a negociação de um carro que Ribeiro teria vendido para um dos pastores que também foram presos: Gilmar Santos ou Arilton Moura Correia.

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Milton Ribeiro foi preso, em Santos, no litoral paulista, em operação da PF realizada na manhã da última quarta-feira (22), suspeito de operar um balcão de negócios no MEC para liberação de verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). A prisão é preventiva, ou seja, não tem prazo para ser revogada.

A PF também cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços de Ribeiro e dos pastores Arilton Moura e Gilmar Santos, ligados ao presidente Jair Bolsonaro (PL) e apontados como lobistas que atuavam no MEC.

A operação chamada Acesso Pago investiga a prática de "tráfico de influência e corrupção para a liberação de recursos públicos" do FNDE.

Edição: Nicolau Soares