Divergências

Advogados da família de Marcelo Arruda criticam condução do caso pela Polícia Civil paranaense

Defensores destacam falhas na investigação e entendem que conclusão do inquérito foi precipitada

No audio source provided.

No entendimento dos familiares de Marcelo Arruda, assassinado em Foz do Iguaçu no último sábado (9) pelo bolsonarista José Jorge da Rocha Guaranho, a conclusão das investigações tocadas pela Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa foi precipitada.

Apresentada à imprensa nesta sexta-feira (15), por meio de entrevista coletiva, a conclusão do inquérito que apurou a causa do crime foi mal recebida por familiares e amigos que testemunharam o atentado.

"Dada sua complexidade e importância diante do contexto político que vivemos, a quem interessa esse inquérito ser concluído de forma tão rápida?", questiona o advogado Ian Vargas, um dos defensores escolhidos pela família da vítima para acompanhar o andamento das investigações.

Ao Brasil de Fato Paraná, Vargas compartilhou uma nota em que estão elencados seis pontos considerados fundamentais para a devida elucidação do crime.

"O primeiro ponto que destacamos diz respeito à delegada Iane Cardoso que, mesmo após ser afastada da presidência do inquérito, continuou acompanhando e com acesso ao andamento das investigações. Essa delegada tem alinhamento político ideológico com o presidente Bolsonaro. Ela não poderia participar", pontua.

Iane Cardoso foi afastada do caso após viralizarem nas redes sociais publicações da delegada em apoio a Jair Bolsonaro e em ataque ao Partido dos Trabalhadores. Quem assumiu a investigação em seu lugar foi a delegada Camila Cecconello.

Em seguida, o representante dos familiares de Arruda destaca que os advogados nomeados para participarem das investigações não tiveram acesso ao inquérito. "E, por parte da autoridade policial, isto viola o art. 7º, XIII e XIV da Lei 8906/94. Apenas este ponto já é algo muito grave. Não tivemos nosso direito constitucional garantido", critica.

Não bastasse o descumprimento das normas legais vigentes, os advogados reclamam ainda que a delegada responsável pelo caso não requereu produção de provas pelos familiares da vítima. "Sequer fomos respondidos. Apresentamos o pedido e fomos ignorados."

A conclusão do inquérito sem que fossem concluídas as perícias nos bens apreendidos também foi alvo de críticas. "A perícia do celular do autor sequer foi concluída. E mesmo assim anteciparam em quatro dias a conclusão do relatório. Estamos muito surpresos pela velocidade. A motivação política não citada", pontuam os advogados.

:: Violência político-eleitoral: atos em várias cidades pedem paz e justiça por Marcelo Arruda ::

Na coletiva desta sexta, a delegada Cecconello informou que a Polícia Civil teve acesso ao celular de Guaranho nesta quinta (14) e o material está, agora, em posse do Instituto de Criminalística. A perícia deve demorar, em média, 20 dias para ser concluída. Segundo a delegada, o inquérito tinha prazo para terminar até a próxima terça (19) e, por isso, não foi esperada a conclusão da perícia.

Agora, o relatório da Polícia Civil seguirá ao Ministério Público, que terá cinco dias para oferecer a denúncia ou pedir mais diligências. 

Apelo pela federalização do caso

No mesmo sentido, o PT do Paraná divulgou nota em que critica a rápida conclusão do inquérito policial. Para o partido, as conclusões divulgadas nesta sexta "são prematuras" e podem levar a uma interpretação equivocada de que houve um "crime comum".

"O encerramento apressado das investigações desse crime bárbaro é, acima de tudo, uma ofensa à família de Marcelo, além de um prognóstico preocupante de conivência das autoridades com os futuros episódios de violência que ameaçam as eleições deste ano", destaca a nota.

O PT-PR ainda demonstra preocupação com a restrição do acesso dos advogados da família ao inquérito. "Reiteramos nosso apelo para que este inquérito seja federalizado com a participação da Justiça Eleitoral, PGR e STF, para que salvaguardem o direito dos cidadãos a manifestarem livremente suas opções políticas, sem que corram risco de serem assassinados", pede o partido.

Editado por: Lia Bianchini

|

Newsletter