Violência

Flexibilização de armas na gestão Bolsonaro é responsável pela morte de mais de 6 mil pessoas

Estudo aponta que leis mais brandas para compra e venda de armamentos estão diretamente ligadas a aumento de homicídios

No audio source provided.

Um levantamento exclusivo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) indica que mais de 6,3 mil assassinatos poderiam ter sido evitados no Brasil se a gestão de Jair Bolsonaro não tivesse flexibilizado a comercialização de armas de fogo e munições.

Desde 2019, o governo federal editou mais de 40 atos normativos e decretos que diminuem consistentemente o controle de armamentos em território nacional. Com as mudanças, ficou mais fácil conseguir licença para portar esse tipo de equipamento e o limite de compra de armas e munições também aumentou, principalmente para colecionadores, atiradores e caçadores (CACs). 

::Registro de armas de fogo em clubes de tiro aumenta 120%::

O objetivo do estudo do FBSP é justamente avaliar qual é a relação entre letalidade violenta e as mudanças na legislação armamentista. A taxa de homicídios mostra tendência de queda desde 2017 no país, mas o relaxamento no controle de armas promovido por Bolsonaro impediu avanços mais consistentes na diminuição dos assassinatos. 

"Embora a redução dos níveis de violência letal seja motivo de comemoração, o país ainda convive com um cenário de violência extrema, assumindo o oitavo lugar entre as nações mais violentas do mundo", ressalta a pesquisa.

É comum que o discurso conservador relacione a queda nos homicídios ao acesso de cidadãos e cidadãs às armas. A premissa defendida é de que famílias armadas estão mais seguras. Mas as conclusões do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que esse entendimento está equivocado.

::Número de armas de uso amador circulando no Brasil já supera o da Polícia Militar::

Os fatores que influenciam o declínio na letalidade violência passam por mudanças sociais e demográficas e por políticas de enfrentamento à criminalidade.

Já está comprovado, por exemplo, que o envelhecimento da população tem impacto na redução de homicídios. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, entre 2004 e 2020 a mudança demográfica contribuiu em 23% para essa diminuição. 

O estudo cita uma série de ações colocadas em prática nas últimas décadas que também contruibuiram para diminuição de assassinatos por arma de fogo. A mudança também passa diretamente pela dinâmica de controle do narcotráfico. 

::Bolsonaro ironiza fome de brasileiros: "Quando invadirem tua casa, dá tiro de feijão"::

"As pesquisas mostram que a difusão de armas de fogo não apenas representa um fator de risco para toda a sociedade, mas conspira contra a segurança dos próprios lares dos indivíduos que possuem tais artefatos, ao contrário do que pensa o senso comum", ressalta o documento divulgado pela FBSP. Para cada 1% a mais na difusão de armas há aumento de 1,1% na taxa de homicídio e 1,2% nos latrocínios. 

A diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno, afirma que os resultados do estudo indicam necessidade urgente de revogar as decisões do governo que relaxaram o controle de armas e munições.

"O estudo demonstra que o crescimento da difusão de armas de fogo impacta no aumento dos homicídios e latrocínios. Ao contrário do que dizem os armamentistas, mais armas em circulação não reduzem a violência. Pelo contrário. Sem a legislação pró-armas, o número de homicídios no Brasil teria caído ainda mais nos últimos anos", conclui ela.

Editado por: Rodrigo Chagas

|

Newsletter