MACHISMO

Por criticar reforma administrativa de Zema, Beatriz Cerqueira sofre ataque misógino na ALMG

Confira 6 frases da deputada sobre projeto de desmonte do Estado mineiro

Um episódio misógino fez parte dos trabalhos da Comissão de Administração Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), na última quarta-feira (29). Deputados discutiam o Projeto de Lei 358/2023, a reforma administrativa proposta pelo governo Romeu Zema (Novo), quando o deputado Coronel Sandro (PL) atacou a única parlamentar presente na sessão da comissão, a deputada Beatriz Cerqueira (PT).

Antes, e também por isso, a parlamentar havia feito duras críticas ao PL. O debate girava em torno da adoção de Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscips) para a administração de serviços públicos. Apesar de não representarem uma reestruturação do Estado, mas sim um tipo de privatização, o contrato de Oscips tramita dentro da reforma.

A deputada questionou por inúmeras vezes e sem resposta contundente qual seria, por exemplo, o motivo de a reforma excluir a necessidade de fiscalização dessas Oscips.

O Brasil de Fato MG separou seis posicionamentos da deputada que valem a pena serem conferidos:

1. “A hora de se importar com dinheiro público é aqui. O governo Zema, ao colocar tantas alterações nas OSs [Organizações Sociais], está abrindo a porteira para a farra do dinheiro público em OS. Depois, não venha o deputado que votar a favor dessa reforma dizer que é a favor de concurso público, tirar foto com a turma da Polícia Penal que está lutando por concurso público. A reforma, com toda essa ampliação de OS, é para substituir vocês, concursados”.

2. “Há quanto tempo não tem concurso e nomeação de concurso? Aí o governo vem, com uma cara lavada, dizer que quer regulamentar a cessão de servidores para OS. O governo não tem servidores nem para dar conta do seu trabalho. Os servidores estão adoecendo”.

3. “O governo tem o direito de fazer sua reforma administrativa, organizar os cargos, as gratificações, as secretarias que melhor atendem à visão de mundo do governo, isso é plenamente legítimo. O que nós estamos questionando é acrescentar outras coisas, que não são de reforma administrativa, nessa proposta”.

4. “Eu queria que algum colega que vai votar a favor [da reforma administrativa] explicasse: por que o governo está retirando da lei a prerrogativa do Tribunal de Contas do Estado de fiscalizar o dinheiro da OS? O dinheiro é público”.

5. “Por que o governo Zema, do Partido Novo, que defende o pagador de imposto, não quer que haja fiscalização do dinheiro do pagador de imposto quando esse dinheiro é jogado para Oscip? O dinheiro público não precisa mais ser fiscalizado?”.

6. “Toda vez que eu vejo o governo com muita pressa [para aprovar um projeto], é porque tem mais problemas do que a gente conseguiu identificar”.

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O ataque do deputado

Já ao final da reunião, o deputado Coronel Sandro (PL) utilizou a fala para atacar de forma violenta a deputada Beatriz Cerqueira, chamando-a de “gatinha de pelúcia”.

“A deputada da oposição vira uma leoa quando é uma Oscip a ser utilizada pelo governo Zema, mas vira uma gatinha de pelúcia quando é uma Oscip que está sob o comando da companheirada”, ironizou Sandro.

Criticado por outros deputados, o parlamentar tentou se defender alegando que não havia citado nomes. Porém, foi de consenso geral que se tratava de Beatriz Cerqueira, visto que ela era a única deputada na comissão.

Em seu direito de resposta, Beatriz contou estar cansada de ataques como esse. “Eu acabei adquirindo uma grande, e é um erro isso, tolerância às violências que vão sendo praticadas. Mas de fato, a minha tolerância chegou ao limite”, desabafou, visivelmente emocionada.

A deputada tem sido uma das parlamentares mais combativas dentro da ALMG em relação a projetos que retiram direitos dos cidadãos mineiros. Da mesma forma, tem acompanhado pormenorizadamente as propostas enviadas pelo Executivo, o que a torna alvo de ataques frequentes. A misoginia, que é o ódio ou preconceito contra mulheres, torna esses ataques ainda mais cruéis.

Editado por: Larissa Costa

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