ENFRENTAMENTO

Em Salinas (MG), seminário discutiu o avanço da mineração no semiárido mineiro

Mais de 100 pessoas se reuniram para pensar estratégias de defesa de seus territórios frente aos empreendimentos

Mais de 100 pessoas, de 17 municípios do Vale do Jequitinhonha e do Norte de Minas Gerais participaram, na quarta-feira (6), do primeiro Seminário de Formação sobre os Impactos da Mineração no Semiárido Mineiro.

O encontro aconteceu no Sindicato de Trabalhadoras e Trabalhadores Rurais de Salinas, cidade do Norte do estado. Durante um dia inteiro, a população discutiu estratégias utilizadas por empresas para enganar comunidades, ações de enfrentamento para a defesa dos territórios, e a dinâmica econômica e ambiental da mineração.

Entre os relatos, os participantes destacaram problemas relacionados à exploração mineral, como a seca dos rios, a dependência de água fornecida pelas empresas e a morte de plantações devido à poeira tóxica.

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Especialistas presentes no encontro afirmaram que a mineração é uma ameaça perigosa à saúde, à água, ao meio ambiente e à agricultura familiar e, por isso, o seminário serviu para que, com organização e mobilizações, a população possa conquistar a soberania dos territórios diante do avanço das empresas.

Resistência

Ao final do encontro, os participantes definiram que será formada uma ampla articulação entre lideranças políticas municipais, parlamentares, sindicatos e movimentos populares, que juntos debaterão os rumos da mineração no semiárido mineiro.

A partir disso, uma série de atividades está programada para começar em janeiro de 2024, como audiências públicas nas câmaras municipais, a elaboração de materiais de comunicação para contrapor informações das empresas, reuniões e assembleias populares nas comunidades em conflito com mineradoras.

O encontro ocorreu em meio ao crescente número de projetos de mineração nessas regiões, como os das mineradoras Vale, Sul Americana de Metais (SAM) e Mineração Minas Bahia (MIBA). As empresas tentam licenciar minas de extração de ferro nos municípios de Fruta de Leite, Grão Mogol, Josenópolis e Riacho dos Machados.

No Vale do Jequitinhonha e no Alto Rio Pardo, as empresas buscam pela pesquisa e extração de lítio, além de outros municípios que convivem com pedidos de exploração de ouro, quartzito, manganês e outros minerais.

O seminário foi uma iniciativa Movimento Articulado dos Sindicatos dos Trabalhadores do Alto Rio Pardo (MASTRO), junto ao Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), à Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Minas Gerais (Fetaemg) e ao Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

Editado por: Larissa Costa

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