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Docentes da UnDF conquistam decisão judicial sobre composição dos Conselhos da universidade

Reitoria terá 30 dias para responder o TJDFT sobre garantir 70% das cadeiras para docentes nos Conselhos da UnDF

Em ato com paralização geral realizado no dia 18 de setembro, docentes cobram por vagas efetivas nos Conselhos da UnDF | Crédito: Foto: Divulgação| SindUnDF

Docentes da Universidade do Distrito Federal Professor Jorge Amaury Maia Nunes (UnDF) conquistaram, nas últimas semanas, uma vitória simbólica na Justiça para a categoria. A disputa envolve especialmente o Conselho Universitário (Consuni), principal órgão deliberativo da instituição. Segundo a categoria docente, a UnDF não estaria respeitando o percentual mínimo de 70% de vagas destinadas a docentes efetivos, conforme estabelece o artigo 56 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB).

Há meses professoras e professores lutam pela recomposição dos Conselhos Universitários da universidade. Em 2024, a reitoria publicou um Edital para a recomposição das cadeiras dos conselhos da universidade — Consuni, Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe) e Conselho Administrativo do Fundo da UnDF (CAFUnDF). O documento, porém, não teria assegurado aos docentes o percentual mínimo previsto na legislação.

Na época, o Sindicato dos Docentes da UnDF (SindUnDF) ingressou com mandado de segurança contra o Distrito Federal e a universidade, pedindo a anulação do edital. A alegação era de que a composição dos conselhos não respeitava a LDB. Um acordo chegou a ser firmado para garantir a correção da medida, mas em setembro deste ano a UnDF publicou um novo edital, o nº 12/2025, convocando eleições para 6 de outubro.

Diante disso, o SindUnDF recorreu novamente à Justiça, alegando que a reitoria descumpria o acórdão anterior. A ação foi analisada pela 4ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), que deu razão ao sindicato em um Mandado de Segurança Coletivo. O relator, desembargador Aiston Henrique Sousa, determinou a anulação do edital de 2024 e a suspensão dos efeitos do edital nº 12/2025.

A decisão fixou prazo de 30 dias, a partir da intimação, para que a Reitoria apresentasse nova distribuição das vagas, garantindo o percentual mínimo de 70% para docentes. “Não há necessidade de grande esforço intelectual para se chegar ao número que represente a garantia de 70%”, afirmou o magistrado, destacando também que caberia exclusivamente à universidade definir a divisão restante entre estudantes e técnicos.

O que a UnDF alega

Faixada da Universidade. Foto: Divulgação | UnDF

Em resposta ao Brasil de Fato DF, a Reitoria da Universidade do Distrito Federal (UnDF) reafirmou compromisso com a gestão pública responsável, a transparência dos processos e o cumprimento das decisões judiciais.

A instituição esclareceu que o Edital nº 12/2025, que regulamenta a eleição dos Conselhos Superiores — Consuni e Consepe — segue vigente e em andamento, com ampla participação da comunidade acadêmica, garantindo a representação docente acima do mínimo de 70% previsto no artigo 56 da LDB.

Segundo a universidade, as demais vagas são ocupadas por membros natos, conforme o Estatuto da UnDF (Artigos 25 e 27), todos docentes por natureza ― e não apenas docentes da carreira magistério superior ―, conforme preconiza o próprio Acórdão e o Estatuto da UnDF (Artigos 25 e 27). A Reitoria reforçou ainda que tem prestado todas as informações solicitadas pelo tribunal dentro do prazo legal, reiterando a regularidade institucional e o respeito à legislação vigente.

Divergências sobre quem são os docentes

O impasse, no entanto, vai além da garantia dos 70% das cadeiras. Para o Sindicato, há divergências sobre quem deve ser considerado docente para efeito de composição dos conselhos.

Atualmente, a UnDF conta com 101 professores da Carreira de Magistério Superior do Distrito Federal (CMSDF), seis servidores das carreiras transversais e 84 comissionados — em sua maioria cedidos da Secretaria de Educação. Nenhum desses cargos comissionados, segundo o sindicato, é ocupado por integrantes da CMSDF.

“Foi a nossa primeira grande luta dentro da universidade: a composição dos conselhos de acordo com a LDB. Ganhamos em primeira instância, mas na segunda a decisão ficou contraditória. Todos os cargos de gestão são ocupados por servidores cedidos da Secretaria de Educação, inclusive aposentados, e não por professores de carreira da UnDF”, explica a vice-presidenta do SindUnDF, Kíssila Mendes.

Segundo ela, a disputa jurídica gira em torno de garantir que apenas docentes concursados na carreira de magistério superior sejam contabilizados nos 70% previstos pela lei. “A universidade simplesmente negou a decisão e respondeu que os docentes cedidos da Secretaria de Educação são ‘docentes natos’, o que não é verdade. Seguimos na Justiça, mas nossa expectativa é de que o edital seja adequado à LDB, garantindo 70% das vagas para professores de carreira”, afirma.

As cadeiras restantes, cerca de 30%, ficam divididas entre discentes, corpo técnico e sociedade civil, sem regra definida sobre essa proporção.

Mobilização por uma UnDF democrática

Ato com paralização geral de docentes e discentes contra a Reitoria da UnDF, em frente a Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS) da Universidade no último dia 18 de setembro. Foto: Divulgação/SindUnDF

No dia 18 de setembro, uma paralisação geral das atividades acadêmicas foi realizada, com apoio do Diretório do Centro Acadêmico (DCA) da UnDF, no campus Asa Norte. A concentração buscou pressionar a reitoria a suspender o edital até que a composição dos conselhos seja corrigida, garantindo o direito legal dos docentes sem prejudicar a representação de outras categorias da comunidade acadêmica. Na ocasião, também aconteceu a assembleia da categoria.

“A reitoria optou por prosseguir com o edital, cuja inscrição para candidaturas foi até sexta-feira (19). A assembleia esperava que o edital fosse cancelado, mas não foi. A UnDF seguiu com o edital, e ficou uma imprecisão sobre se continuaríamos ou não na candidatura às vagas desse edital. De última hora, os professores se organizaram e se inscreveram para as vagas do edital, já contando com a vitória certa na Justiça, de que o edital terá que ser adequado à LDB”, observa a docente.

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Editado por: Flavia Quirino

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