SEM ACORDO

Irã lista condições para paz e Trump diz que Teerã ‘implora por um acordo’

Entre as garantias exigidas pelo país persa, estão a soberania sobre o Estreito de Ormuz; Líbano denuncia Israel na ONU

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Manifestação contra os EUA em Teerã
Manifestação contra os EUA em Teerã | Crédito: Anwar AMRO / AFP

O Irã divulgou nesta quinta-feira (26) cinco condições para o fim do conflito contra Estados Unidos e Israel. O país respondeu oficialmente uma proposta dos EUA de 15 pontos para pôr fim à guerra por intermédio do Paquistão, um país mediador, e agora “espera que a outra parte se pronuncie”, reportou a agência iraniana Tasnim.

As condições iranianas são: fim da “agressão e do terror”; garantias que impeçam a repetição de uma guerra contra o Irã; indenização por danos de guerra e reparações; fim da guerra “em todas as frentes” e contra “todos os grupos de resistência” no Oriente Médio e o reconhecimento da soberania do Irã sobre o Estreito de Ormuz, declarando-o um “direito natural e legítimo” de Teerã.

Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que tomar o controle do petróleo iraniano é uma “opção” para o fim da guerra.

Na Venezuela, nos saímos muito bem. É como uma espécie de empresa conjunta” para explorar o petróleo, comentou, aludindo à captura do presidente deposto Nicolás Maduro e às mudanças implementadas pelo novo governo em Caracas.

Do outro lado, o magnata disse que o país persa está “implorando por um acordo”. “Eles estão implorando para chegar a um acordo. Não sei se conseguiremos. Não sei se estamos dispostos a isso. Deveriam ter feito isso há quatro semanas. Deveriam ter feito isso há dois anos.”

Trump afirmou ainda que o Irã permitiu a passagem de dez petroleiros pelo estratégico Estreito de Ormuz como um “presente” aos Estados Unidos, em sinal de sua disposição para negociar o fim da guerra. Trump afirmou que as operações militares dos EUA contra o Irã estão “extremamente” adiantadas em relação ao cronograma.

“Estimávamos que levaríamos de quatro a seis semanas para concluir nossa missão. Com 26 dias, estamos extremamente, realmente, muito avançados”, declarou ele.

Denúncia libanesa na ONU

O Líbano apresentará uma denúncia ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre os ataques de Israel, que alega ser parte de sua ofensiva contra o movimento pró-Irã do Hezbollah. Os ataques no Líbano mataram pelo menos cinco pessoas nesta quinta-feira, e o exército israelense anunciou a morte “em combate” de um soldado no sul do Líbano, palco de confrontos com o movimento pró-Irã Hezbollah.

O grupo xiita boicotou uma reunião do governo em protesto contra a decisão de expulsar o embaixador iraniano. O exército israelense afirma ter matado 700 membros do grupo libanês Hezbollah desde o início dos combates no Líbano, em 2 de março.

O movimento xiita pró-Irã nunca divulga o número de seus combatentes mortos. Segundo dados do governo libanês, 1.094 pessoas morreram desde a retomada da guerra, incluindo 121 crianças.

Comandante eliminado

O ministro israelense da Defesa, Israel Katz, anunciou que o Exército do país matou, em um ataque aéreo, Alireza Tangsiri, comandante da Marinha da Guarda Revolucionária iraniana.

“O homem diretamente responsável pela operação terrorista de minagem e bloqueio do Estreito de Ormuz à navegação foi explodido e eliminado”, disse ele. O Exército israelense anunciou “uma série de ataques em larga escala contra infraestruturas do regime terrorista iraniano em vários locais do país”, no 27º dia da guerra no Oriente Médio.

Houthis

Os rebeldes houthis no Iêmen estão prontos para se juntar à luta contra os EUA e Israel, caso as capacidades militares da milícia sejam necessárias.

“Estamos totalmente preparados militarmente, com todas as opções à disposição”, disse à agência de notícias Reuters um líder houthi, que pediu anonimato devido à sensibilidade do assunto.

“Quanto aos outros detalhes relacionados à determinação da hora zero, isso fica a cargo da liderança. Estamos monitorando e acompanhando os desdobramentos e saberemos quando for o momento adequado para agir”, acrescentou.

“Até agora, o Irã está se saindo bem e derrotando o inimigo a cada dia, e a batalha está caminhando a seu favor. Se algo contrário a isso acontecer, então poderemos avaliar a situação.”

Caso os houthis abram uma nova frente no conflito, um alvo óbvio seria o Estreito de Bab el-Mandeb, na costa do Iêmen, um ponto de estrangulamento crucial para a navegação e uma passagem estreita que controla o tráfego marítimo em direção ao Canal de Suez, após o Irã ter efetivamente fechado o crítico Estreito de Ormuz.

Editado por: Luís Indriunas

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