MEMÓRIA

‘No olho do Furacão’: historiador da UFMG lança coletânea sobre autoritarismo no Brasil

Livro reúne artigos que tratam da ameaça constante de novos golpes militares no país

Registro de ato bolsonarista
8 de janeiro de 2023 foi uma tentativa de ruptura democrática em Brasília, quando apoiadores de Jair Bolsonaro invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes | Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O professor Rodrigo Patto Sá Motta, do Departamento de História da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), lançou na segunda-feira (11), no campus Pampulha, em Belo Horizonte, a coletânea No olho do furacão: estudos de história política. A obra reúne artigos e ensaios que analisam a permanência de ameaças autoritárias no Brasil e o histórico de golpes e tentativas de ruptura democrática no país.

A publicação aborda temas como ditaduras, cultura política, anticomunismo, historiografia, ultradireita, repressão policial e os conflitos em torno da memória política recente brasileira, organizada a partir de textos inéditos no Brasil ou anteriormente publicados apenas em línguas estrangeiras. 

A obra também discute o papel político da imprensa diante de golpes militares, as estruturas repressivas da polícia política e a chamada “guerra cultural” bolsonarista. Nos textos, Patto analisa como setores da extrema direita passaram a ocupar espaço central na cena pública brasileira nos últimos anos, especialmente após o avanço do bolsonarismo. Para ele, a tentativa de golpe de janeiro de 2023 representa um recrudescimento de forças autoritárias que nunca deixaram completamente a vida política nacional.

“O Brasil tem uma história política marcada por vários problemas estruturais, que geraram intensas disputas e conflitos, por sua vez conectados a questões de ordem social e econômica. Uma das contendas mais marcantes envolve as demandas e mobilizações por democratização, a ampliação da participação política de grupos excluídos e a redução das desigualdades sociais”, afirma Patto. 

O autor sustenta que golpes e ditaduras no Brasil surgem como reação às mobilizações populares e às tentativas de avanço democrático e, nesse sentido, tentativas  autoritárias dos setores dominantes surgiriam justamente como resposta a essas mobilizações, na intenção de abafá-las.

Além das rupturas explícitas, o livro também examina estratégias mais sutis de manutenção do poder pelas elites brasileiras, como a incorporação parcial de demandas sociais e a construção de lideranças carismáticas capazes de angariar apoio popular.

“Toda a minha pesquisa tem sido dedicada a estudar esses temas em perspectiva histórica, na expectativa de contribuir para que as pessoas possam se posicionar de maneira bem-informada frente às disputas políticas – de preferência, optando por caminhos democráticos”, afirma o historiador. 

O livro No olho do furacão: estudos de história política tem 200 páginas e é lançado pela Sagga Editora. 

Editado por: Ana Carolina Vasconcelos

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