O ESTRANGEIRO

‘Esta Copa não abre portas’, diz jornalista dos EUA sobre torneio mais antipático no pós-guerra

Zoe Alexandra analisa a infraestrutura precária, os custos elevados e as barreiras contra imigração na Copa 2026

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Trabalhadores do estádio SOFI em Los Angeles protestam em frente ao escritório da Copa do Mundo da FIFA 26 em Los Angeles, pedindo a proibição da banda ICE na Copa do Mundo de 1º de maio de 2026
Trabalhadores do estádio SOFI em Los Angeles protestam em frente ao escritório da Copa do Mundo da FIFA 26 em Los Angeles, pedindo a proibição da banda ICE na Copa do Mundo de 1º de maio de 2026 | Crédito: Frederic J. BROWN / AFP

A Copa do Mundo que começa nesta quinta-feira (11) difere das anteriores por ser, talvez, a mais antipática de todas as realizadas no período pós-guerra. Essa é a opinião da jornalista Zoe Alexandra, diretora de notícias do site estadunidense BreakThrough News.

“Tem essa sensação de que essa é uma Copa diferente das outras. Não é uma Copa que abre as portas“, afirma a jornalista, que é baseada em Nova York e participou de O Estrangeiro, o videocast de política internacional do Brasil de Fato.

“Lembro que mesmo no Catar, onde teve muitas contradições, sobretudo relacionadas à construção dos estádios e todo o trabalho escravo que foi utilizado, o acolhimento das pessoas que viajaram até lá, os benefícios que eles ofereceram para as pessoas que chegaram lá foi outra coisa.”

“Hoje você chega nos Estados Unidos e primeiro vai ser interrogado, tem que passar pela migração… Eu vi que alguém que queria viajar da Escócia foi deportado e retiraram o visto dela. Então não é nem só o Sul Global, todo mundo vai ter esse tratamento.”

“Depois, os preços dos hotéis subiram bastante. Não é só que o país anfitrião está numa guerra com um país participante, mas o efeito dessa guerra é que todos os preços são mais altos. E não só isso, nos hotéis, nas empresas de aluguel de carros, todos os custos estão bem elevados. Eles estão tentando aproveitar o máximo que podem para explorar as pessoas e tudo o que vão gastar — e vão ter que gastar, porque você não pode chegar ao estádio de futebol, por exemplo, em Massachusetts, que não é na cidade, não tem uma infraestrutura para ajudar as pessoas a chegar aos estádios, não tem esse acolhimento.”

Zoe Alexandra compara a recepção dos times que se hospedam na outra sede do Mundial, o México. “Ontem, vários vídeos saíram do México com bandas no aeroporto recebendo as equipes; aqui não teve essa recepção, não teve mesmo. Então eu acho que as pessoas estão cientes de que essa Copa está tendo lugar no meio de uma guerra e também numa operação massiva de deportação e tratamento cruel aos migrantes.”

Ela explica que a má recepção não é privilégio de estrangeiros que vão ao país ver os jogos. Ao contrário, diz ela, “há uma sensação de frustração porque nas cidades e nos estados onde têm estádios realmente não teve uma preparação para receber tanta gente, não tem a infraestrutura”.

“A logística que eles estão tentando montar em vários estados e cidades é insuficiente e vai custar bastante. Por exemplo, o trem de Nova York para o estádio de New Jersey custava 15 dólares; agora vai subir até 75 dólares para você ir 15 minutos de trem.

“Em muitas cidades a sensação realmente é de confusão e frustração, e as pessoas também sabem que as equipes que estão chegando recebem o mesmo tratamento que muitos migrantes que moram nos Estados Unidos ou que tentam entrar nos Estados Unidos estão recebendo. Esse começo tem sido um pouco feio.”

Editado por: Gia Matheus Almeida

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