Abertura comercial

‘Protecionismo não tem futuro’, diz diretora da alfândega chinesa ao detalhar metas até 2030

Apesar de restrições dos EUA, exportações chinesas de chips cresceram 88,7% e de carros elétricos, 68,7%, no 1º semestre

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Sun Meijun, diretora-geral da Administração Geral das Alfândegas, em coletiva de imprensa realizada pelo Gabinete de Informação do Conselho de Estado em Pequim, capital da China, em 25 de agosto de 2025.
Sun Meijun, diretora-geral da Administração Geral das Alfândegas, em coletiva de imprensa realizada pelo Gabinete de Informação do Conselho de Estado em Pequim, capital da China, em 25 de agosto de 2025. | Crédito: Chen Yehua / Xinhua via AFP

A Alfândega chinesa detalhou nesta quarta-feira (22) as metas do 15º Plano Quinquenal para o comércio exterior, com base em um primeiro semestre de expansão.

Segundo dados divulgados pelo órgão em 14 de julho, as exportações de circuitos integrados (chips) cresceram 88,7%, as de veículos elétricos, 68,7%, e as de produtos de alta tecnologia subiram 39%. O comércio exterior total avançou 16,9% no período, com alta tanto em importações (22,1%) quanto em exportações (13,4%).

A diretora-geral do órgão, Sun Meijun, destacou os números, mas reconheceu que “os fatores de incerteza e instabilidade enfrentados pelo comércio exterior aumentaram significativamente”.

Ela também lamentou a “complexidade e a volatilidade do cenário internacional atual, com o aumento do unilateralismo e do protecionismo, o incremento das barreiras tarifárias e não tarifárias”. “O protecionismo não tem futuro”, disse em resposta a uma pergunta sobre o aumento do comércio com os países africanos no primeiro semestre.

EUA anunciam mais tarifas

Na véspera da coletiva da Alfândega chinesa, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, anunciou que o governo Trump prepara novas tarifas para dezenas de países com o pretexto de “trabalho forçado”. A lista incluiria China, Brasil, México e outras 57 nações, com alíquotas entre 10% e 12,5%.

Em entrevista à Bloomberg em 16 de julho, Greer havia descrito a China como alvo também de uma investigação separada sobre “excesso de capacidade estrutural”, com foco nos setores de semicondutores e veículos elétricos. Ele também confirmou reunião entre Trump e Xi Jinping prevista para setembro.

O comércio bilateral China-EUA havia registrado queda nos primeiros meses de 2026. A partir de abril, o sentido se inverteu, com crescimento em maio e junho.

O que muda no 15º Plano Quinquenal

Sun Meijun disse que há quatro eixos em termos de prioridades da Alfândega para 2026-2030: serviços regulatórios para o comércio exterior, segurança nas fronteiras, cooperação aberta e combate ao contrabando.

No lado das importações, Meijun anunciou a expansão das origens de tecnologia avançada, componentes estratégicos, recursos energéticos e produtos agrícolas de qualidade. Em suas palavras, a China não é apenas a “fábrica do mundo”, mas também o “mercado mundial”.

No eixo comercial, o destaque é a criação de um marco regulatório específico para exportações de produtos de inteligência artificial e de transição energética, setores em crescimento acelerado que ainda operam sob regras genéricas.

Wang Jun anunciou três mudanças no comércio eletrônico. Empresas do setor com bom histórico de conformidade passam a se registrar uma única vez para operar em qualquer porto do país, sem precisar de cadastros separados por região. Exportações de e-commerce por transporte terrestre transfronteiriço passam a operar pelo sistema TIR (Transporte Internacional Rodoviário), tratado da ONU que permite o trânsito de mercadorias sob lacre aduaneiro por 78 países signatários com documento único e inspeções mínimas nas fronteiras, eliminando paradas obrigatórias a cada ponto de controle. E as devoluções de produtos mantidos em depósitos no exterior terão processo de reimportação (o retorno da mercadoria ao território aduaneiro chinês) simplificado.

Cargas que combinam mais de um tipo de transporte, como navio, trem e caminhão, passarão a circular com um único documento do início ao fim do trajeto, em vez de exigir papelada separada para cada trecho. A meta é que metade das operações com transporte combinado adote esse sistema até 2030, segundo Lü Daliang, porta-voz e diretor de estatísticas da Alfândega.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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