mapa da fome

‘Se alimentar bem é a base de sustentação para todas as rotinas da vida’, diz presidenta do Conselho Nacional de Segurança Alimentar

Elisabetta Recine celebra menor insegurança alimentar severa da história, alcançada em 2025 segundo relatório da ONU

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Projeto busca ampliar acesso à alimentação saudável e fortalecer ações de combate à fome na Paraíba
Projeto busca ampliar acesso à alimentação saudável e fortalecer ações de combate à fome na Paraíba | Crédito: Andre Borges/Agência Brasília

Cerca de 16,7 milhões de brasileiros deixaram a condição de privação alimentar grave no período do triênio 2023-2025, chegando à menor taxa de insegurança alimentar severa desde o início da série histórica da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Os dados foram divulgados na terça-feira (21) e estão consolidados no relatório O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo 2026 (SOFI).

Em entrevista ao É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato, a professora Elisabetta Recine, presidenta do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, destaca que, desde o ano passado, o Brasil já apresentava bons índices que colocavam o país fora do mapa da fome, o que tinha acontecido pela primeira vez em 2014, durante o governo da presidenta Dilma Rousseff (PT).

Pouco tempo depois, nas gestões Michel Temer e Jair Bolsonaro, os brasileiros voltaram a ter dificuldade de se alimentar. No final de 2022, com o impulso da pandemia, Recine afirma que mais de 33 milhões de pessoas estavam passando fome. Em menos de três anos, o cenário se modificou, indicando recuperação.

“Esses resultados confirmam um processo virtuoso de reconquista de condições de vida, de cidadania para a nossa população”, resume.

De acordo com a especialista, os bons resultados de agora estão ligados a uma combinação de retomada econômica e de políticas sociais do governo Lula 3. “Foi um resultado importante, porque a velocidade com que isso foi alcançado era uma velocidade até não prevista. Felizmente, ela foi alcançada e o relatório desse ano mantém esses resultados. Isso é importante porque, logicamente, as pessoas estarem em segurança alimentar, isto é, tendo condições de se alimentarem, é a base de sustentação para todas outras rotinas da vida”, avalia.

“Não dá para pensar que pessoas que estejam preocupadas em garantir a sua refeição naquele dia consigam planejar sua vida, consigam organizar sua rotina, consigam trabalhar de maneira constante. É a base de sustentação individual, mas também da própria sociedade você ter um país onde a fome não é uma realidade”, reforça a especialista.

Elisabetta Recine também avalia índices de outros países e destaca negativamente a situação do continente africano, onde há diversos países enfrentando conflitos internos. “A África passa a ser o continente com maior insegurança alimentar. Antes era a Ásia. Isso certamente está relacionado a conflitos importantes que causam uma ruptura em políticas sociais e mesmo na produção de alimentos”, explica.

Outra situação complexa que aparece no relatório é o acesso a alimentos saudáveis: em torno de 2 bilhões de pessoas no mundo não conseguem garantir esse consumo de qualidade. “O estudo mostra uma situação muito preocupante e mostra que em torno de 30% da população mundial não tem condições financeiras de conseguir comprar uma dieta minimamente diversificada. O Brasil e a América Latina, em particular, têm esse desafio de baratear o acesso a uma alimentação diversificada e saudável. Logicamente, isso está ligado à nossa capacidade de produção diversificada, mas também a questões estruturais da inflação de alimentos”, analisa.

Para ouvir e assistir

O É de Manhã vai ao ar de segunda a sexta-feira às 07h da manhã na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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