Tarcísio forasteiro

Ediane Maria defende revisão de contrato da Trivia Trens em SP: ‘Colocaram a vida das pessoas em risco’

Deputada afirma que incidente, somado aos problemas da Sabesp privatizada, prova que Tarcísio não é capaz de governar

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CPTM
No tereiro dia de operação privada, caos tomou conta das linhas 11, 12 e 13 da CPTM | Crédito: Reprodução/Redes Sociais

Uma representação ao Ministério Público Estadual de São Paulo (MPSP) pede a abertura de uma investigação para apurar o incêndio ocorrido na linha 12-Safira da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, que causou diversos transtornos para a população da capital paulista e Grande São Paulo nesta quinta-feira (23). O pedido foi protocolado pela deputada estadual Ediane Maria (Psol-SP) e pela advogada e liderança do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) Natália Boulos. O incidente aconteceu três dias após a concessionária Trivia Trens ter assumido a operação.

Após o ocorrido, a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) determinou a imediata retomada da operação pela CPTM, o que já aconteceu nesta sexta-feira (24).

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Ediane Maria define como desesperadoras as cenas vistas no transporte de trens na quinta-feira, critica o processo de privatização e a falta de informações, que colocaram a população em risco. “Não havia orientação. As pessoas, desesperadas, ligavam para a CPTM. Ligavam, mas eles sequer tinham como resolver o problema dos usuários do transporte público”, afirma, ressaltando o fato de que a operação já estava nas mãos da empresa privada.

Para a deputada estadual, o episódio prova que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) é um “forasteiro” que veio para o estado para “entregar tudo para a privatização”. “Ele segue uma lógica de um Estado de concessão. Mas não é concessão, é entrega das nossas estatais. Ele fez isso com a Sabesp e está fazendo com os trens. A gente mostrou, na prática, que é um bem que é para todos, para levar os trabalhadores, a população para passear, para um parque, mas principalmente para o trabalho, porque quem mora no extremo da Zona Leste de São Paulo ou em Santo André não vem ao centro para passear, vem para trabalhar. Tanto que era cedo, seis horas da manhã. A pessoa já leva um susto e quase perde a vida. Colocaram a vida das pessoas em risco”, denuncia.

Além disso, Maria reforça o despreparo dos profissionais da Trivia. “Essa empresa não tem condições de continuar com essa concessão. A gente viu isso na prática. Foram três dias para vermos que eles não têm condição alguma [de operar os trens], muito menos de atender a população em um momento de agonia, desespero, quando as pessoas estavam tentando salvar as suas vidas. Precisamos rever esse contrato”, defende.

A deputada do Psol avalia que tanto o projeto privatista de Tarcísio quanto a atitude dele diante do incidente representam “lavar as mãos”. “Se ele usasse os trens, se os filhos dele andassem de trem, ele não iria privatizar. Muito pelo contrário. Ele teria aumentado as linhas, baixado o preço da passagem. Isso mostra que Tarcísio não tem condições de governar o estado de São Paulo”, critica.

Questionada se o período de 90 dias de retomada das operações das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade pela CPTM, determinado pelo governador e candidato à reeleição, tem alguma ligação com a tentativa de se descolar da crise no transporte, Ediane Maria aposta que o plano não vai colar.

“A população já está vendo o que está acontecendo. Ele tenta se desvincular o tempo todo. É só a gente ver o que ele fez com a Sabesp. No final do dia, é um governo privatista e que colocou e está colocando a vida da população em risco todos os dias. Nós não podemos cair nessa prática dele. Se o Tarciso de Freitas se reelege, o plano dele de concessão continua”, alerta.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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