A Feira Literária Internacional de Paraty (Flip) chega à sua 24ª edição e promove, até domingo (26), debates literários, encontros culturais, oficinas, lançamentos de livros e diálogos sobre tendências da literatura no Brasil e no mundo. Este ano, a homenageada é Orides Fontela, considerada “uma poeta universal” pelo crítico literário Augusto Massi, durante abertura do evento na última quarta-feira (22). É o segundo ano seguido que a Flip homenageia a poesia, tendo celebrado o autor curitibano Paulo Leminski em 2025.
A Revista Brejeiras aproveita a ocasião para o lançamento de uma edição especial com o tema “Sexo, Drogas e Lesbianidades”, seguida de debate com a equipe da publicação e, como convidadas, a vereadora Mônica Benício (Psol-RJ) e a professora e especialista em segurança pública Jacqueline Muniz.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Camila Marins, editora da Brejeiras, afirma que a ideia da publicação temática surgiu do seminário “Drogas e população LGBTQIAPN+: nas encruzilhadas das políticas públicas”, promovido na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro, que abordou exatamente o desmonte de políticas de redução de danos e de saúde mental. Promovida pelo governo Jair Bolsonaro, a diminuição de cuidados focados agrava a situação dessa população já vulnerabilizada.
“A gente vive uma tentativa de privatização dos serviços de saúde mental em diversos municípios. Quando a gente pega o recorte específico das mulheres lésbicas, a gente analisa tanto a relação delas com as drogas e o álcool, como também como as mulheres lésbicas, principalmente as mulheres negras, pobres e periféricas, estão sendo encarceradas. Portanto, trata-se de um genocídio também da população negra desse país”, avalia.
Marins também fala sobre os dez anos do lesbocídio de Luana Barbosa, mulher negra, trabalhadora, periférica e mãe, vítima do Estado. “Luana foi brutalmente assassinada pela violência policial e até hoje não tivemos justiça. Inclusive, o termo lesbocídio ganha uma repercussão nacional e internacional a partir de um posicionamento da ONU neste caso”, conta.
“Nós, os movimentos sociais de lésbicas no Brasil, articulamos há alguns anos o projeto de lei Luana Barbosa de enfrentamento ao lesbocídio, que é uma tentativa antipunitivista e pedagógica de promover campanhas contra o lesbocídio nos equipamentos públicos da cidade, como, por exemplo, bibliotecas, praças públicas, escolas, para que a gente traga esse debate público para a sociedade e a gente comece a enfrentar”, afirma a jornalista.
O lançamento acontece neste sábado (25) às 20h30 na Casa Queer, que fica na Rua Luiz Socó, 1, perto do Cais do Porto, no Centro Histórico de Paraty.
Para ouvir e assistir
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
